Hidratação, vacinação e conforto térmico: especialista dá dicas para aumentar imunidade no inverno
Desde o início do outono e com a chegada do inverno, os dias no Rio Grande do Sul são marcados pelas temperaturas mais baixas. Um dos reflexos dos meses mais frios do ano no Estado é o aumento de casos de síndromes respiratórias, como a gripe, que resulta também na lotação de blocos de urgência e emergência de hospitais e unidades de pronto atendimentos.
Por isso, é necessário buscar cuidados diários com a saúde para manter a vida em equilíbrio e, principalmente, com imunidade. Algumas medidas simples podem ajudar na prevenção contra a gripe e outras doenças respiratórias, como a covid e a síndrome respiratória aguda grave (SRAG). A médica Gisele Lobato, nefrologista do Hospital Moinhos de Vento de Porto Alegre, aponta algumas das principais dicas de como aumentar a imunidade nos meses mais frios do ano.
“Nosso organismo tem mecanismos de defesa próprios, que servem para proteger tanto no calor como no frio. Nos dias mais quentes, a gente faz uma vasodilatação. Já nos dias mais frios, a gente faz a vasoconstrição. Tudo isso com o objetivo de manter a temperatura corporal. Isso porque nossas funções vitais dependem de uma temperatura estável. E a exposição ao frio faz com que nosso corpo perca calor, que é justamente o que não pode acontecer”, destacou.
- Conforto térmico
A primeira dica da médica é com relação à proteção através da vestimenta, evitando a exposição do corpo ao frio, principalmente nas extremidades. “Mãos, pés, orelhas, ponta do nariz e na cabeça é onde se perde mais calor. No momento que a gente tira essa possibilidade, retemos mais calor no corpo”, explicou. Ela recomenda o uso de acessórios como touca, luvas e mantas.
- Atividades esportivas
Gisele também reforça a importância da prática de atividades esportivas. “Não só inverno. Elas devem ser feitas sempre, pois é um mecanismo de longevidade”, afirmou. Entretanto, ela salienta que, nestes dias frios, é necessário praticar as atividades bem agasalhado, com roupas térmicas e/ou casacos. “Sugerimos sempre uma sobreposição de roupas. É o efeito cebola, como brincamos. Vai colocando ou retirando as peças conforme a necessidade, para não ficar exposto ao frio”, citou.
- Hidratação
A médica destaca ainda a necessidade da ingestão de líquidos. Segundo ela, no frio, o corpo perde muito líquido em função do ressecamento da pele, sendo necessária a manutenção de uma hidratação adequada. Além disso, outra medida que pode ajudar é a manutenção dos pelos no nariz. “Eles servem para aquecer o ar que está entrando. Por isso, é importante proteger o nariz”, completou.
- Vacinação
A imunização também é essencial para reduzir os casos e o agravamento de doenças respiratórias. Por isso, a médica reforça a conscientização sobre a vacinação. “As vacinas estão aí para minimizar os sintomas, mesmo que as pessoas acabem pegando alguma infecção. Com isso, conseguimos lidar melhor com as doenças, evitando pneumonias e outras formas de agravamento”, afirmou.
- Alimentação e bebidas quentes
Gisele aponta ainda a alimentação saudável como uma das principais dicas para aumentar a imunidade no inverno. Ela também alerta para o consumo de bebidas alcoólicas no período. “Quando tomamos algo com álcool, no início ocorre uma vasodilatação que é transitória. Então, ela nem sempre é uma alternativa”, explicou a médica. Após a sensação de aquecimento, ocorre a perda de calor. “Por isso uma boa alternativa é preferir bebidas quentes, como cafés, chás e chocolates quentes. Elas ajudam a proteger bastante”, concluiu.
Relação frio x doenças respiratórias
Já a médica e coordenadora do Programa de Residência de Medicina de Família e Comunidade da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre, Loren Seibel, salienta ainda que as síndromes respiratórias, como a gripe, são doenças sazonais que geralmente têm maior incidência no período mais frio do ano. Entretanto, elas não possuem uma relação direta com as temperaturas mais baixas, mas sim com o comportamento da população no período. “Começa a ficar frio e as pessoas se fecham nos ambientes e não circula ar nestes espaços de convívio. Isso faz com que as pessoas se contaminem”, completou.
Fonte: CP