Irã e EUA negociam paz no Paquistão; entenda as divergências
Irã e Estados Unidos celebram neste sábado (11), no Paquistão, negociações de paz às quais ambas as partes chegam com desconfiança e com posições ainda distantes sobre como pôr fim a seis semanas de conflito. O vice-presidente americano, JD Vance, encontra-se em Islamabad à frente de uma delegação que inclui o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.
A primeira delegação a chegar ao Paquistão foi a iraniana, com mais de 70 pessoas e chefiada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, cujo país atua como mediador, recebeu tanto a delegação iraniana como o vice-presidente Vance e manifestou a sua intenção de acompanhar as duas partes para “avançar rumo a uma paz sustentável na região”.
As exigências para o fim do conflito
O presidente Donald Trump afirmou que a reabertura total do Estreito de Ormuz é iminente e vital, destacando que o bloqueio — que retém um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos — asfixia as receitas de Teerã. No entanto, o ponto central da negociação permanece sendo o programa atômico: “Nada de arma nuclear. Isso é 99% da conversa”, declarou Trump.
Reivindicações do Irã e o conflito no Líbano
Por outro lado, o governo iraniano condiciona a estabilidade do acordo à extensão do cessar-fogo ao Líbano, onde o Hezbollah enfrenta uma ofensiva de Israel. Teerã também exige o descongelamento imediato de seus ativos financeiros no exterior. Até o momento, nenhuma dessas reivindicações foi concretizada, mantendo a tensão regional elevada enquanto o Irã insiste que suas ambições nucleares possuem fins puramente civis.
O desafio de uma paz duradoura
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, mediador do conflito, alertou que o atual cessar-fogo é apenas o primeiro passo. Segundo ele, a fase atual é a mais complexa, visando transformar a pausa nos combates em um acordo duradouro que resolva o bloqueio naval iniciado em 28 de fevereiro.
Para os mercados globais, a reabertura de Ormuz é a única via para estabilizar o preço do petróleo e garantir o fluxo seguro de energia.
Fonte: CP