José María Balcázar é eleito presidente interino do Peru
O congressista de esquerda José María Balcázar foi eleito chefe do Congresso na noite de quarta-feira (18), assumindo automaticamente a presidência interina do Peru. Ele substitui José Jerí, destituído na terça-feira (17) por acusações de corrupção e má conduta. Aos 83 anos, o advogado e membro do partido Peru Livre torna-se o oitavo chefe de Estado do país desde 2016, aprofundando a instabilidade crônica da nação sul-americana.
Balcázar governará até 26 de julho, data da posse do vencedor das eleições gerais marcadas para 12 de abril.
Em seu primeiro discurso, Balcázar comprometeu-se a garantir uma transição democrática pacífica e transparente. Eleito com 60 votos em sessão extraordinária, o novo presidente interino carrega controvérsias: já foi investigado por apropriação indevida de recursos e gerou indignação internacional em 2023 ao proferir declarações que justificavam relações sexuais precoces durante um debate sobre casamento infantil.
A Coordenadoria Nacional de Direitos Humanos classificou sua ascensão como um “alarme” para a proteção da infância no país.
A queda de José Jerí e o cenário eleitoral
José Jerí, que ocupava o cargo desde outubro após o impeachment de Dina Boluarte, foi afastado por “falta de idoneidade”. O Ministério Público investiga o ex-mandatário por tráfico de influência, após reuniões secretas com empresários e irregularidades em contratações públicas. Em despedida nas redes sociais, Jerí afirmou sair com a “consciência em paz”, alegando ter pavimentado o caminho para eleições limpas.
A crise peruana é marcada por um recorde de ex-presidentes detidos ou processados por corrupção, como Alejandro Toledo, Ollanta Humala e Pedro Castillo — este último preso desde a tentativa de golpe em 2022. Para as eleições de abril, que marcam o retorno do Parlamento bicameral, há mais de 30 candidatos inscritos. Analistas políticos sugerem que o desgaste das sucessivas quedas de presidentes deve impactar o desempenho eleitoral de partidos tradicionais, como o Força Popular, de Keiko Fujimori.
Fonte: CP