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Mercado do feijão preto se mantém “travado” e com vendas escassas

O mercado do feijão preto no Brasil segue travado, com vendas escassas e preços pressionados por estoques internos elevados. Mesmo com valores considerados atrativos, a demanda segue retraída, e o enfraquecimento do carioca contribuiu para reduzir o fôlego do preto. As informações são de Evandro Oliveira, analista de Safras & Mercado. Conforme ele, há carência de produto extra de qualidade, pois muitos produtores optam por reter os melhores lotes, enquanto a oferta de feijão comum é ampla e pressiona as cotações.

A primeira safra 2025/26 avança em ritmo satisfatório no Paraná, com 74% da área já semeada, enquanto no Rio Grande do Sul o plantio é irregular. O corte de área é expressivo (queda de 36% em relação ao ciclo anterior, com 107,6 mil hectares estimados) e deve resultar em produção inferior a 200 mil toneladas. As lavouras apresentam bom vigor, com 91% em condições boas e 80% ainda em crescimento vegetativo.

E o contexto macroeconômico segue desafiador.

“A crise de crédito rural limita o acesso ao financiamento e agrava a inviabilidade da produção”, observa o analista.

Embora as exportações estejam em crescimento, os embarques ainda não são suficientes para aliviar o excesso de oferta interna. Assim, o mercado do feijão preto tende a permanecer lateralizado no curto prazo, aguardando um reequilíbrio entre estoques e demanda.

Para Safras & Mercado, “a perspectiva de recuperação de preços na virada de 2025 para 2026 é real, sustentada pela forte redução da área plantada e pela possibilidade de menor oferta no primeiro trimestre do próximo ano”.

Até lá, Oliveira recomenda que produtores gerenciem estoques com cautela, corretores priorizem negócios por amostra e embarque programado, e o varejo siga operando de forma seletiva, acompanhando de perto os sinais de retomada do consumo e do câmbio.

Área gaúcha em queda

Segundo a Conab divulgou no seu Primeiro Levantamento de Safra 2025/2026, no último dia 14, a área cultivada com feijão preto no Rio Grande do Sul tem apresentado uma tendência de redução nas safras recentes. “A volatilidade do preço recebido pelo produtor e a maior rentabilidade da soja têm afastado o produtor da cultura”, justificou a estatal.

A exceção é o Planalto Superior, onde os produtores mais tecnificados utilizam a cultura em seus sistemas de rotação de culturas e, com o uso de bom pacote tecnológico, obtêm boas produtividades. Aproximadamente 20% da área da cultura no Estado é cultivada no Planalto Superior, onde a semeadura se dará somente a partir do final de novembro.

De acordo com a Conab, a semeadura iniciou ainda em agosto, e ao final de setembro a área semeada já alcançava mais da metade do total previsto para este ciclo, e as lavouras implantadas apresentam boas condições gerais de desenvolvimento. As áreas pontuais que sofreram com as baixas temperaturas não apresentaram danos significativos sobre as lavouras, mas houve reflexo no atraso nas fases vegetativas inicias.

Diferente do feijão cores, o nível de tecnologia empregado no cultivo do feijão-preto na primeira safra é diverso, ocorrendo em áreas com altos investimentos e em outras com praticamente nenhum. Isso interfere no rendimento médio geral da cultura, especialmente em anos cujas condições climáticas não são tão homogêneas e favoráveis à cultura.

Fonte: CP