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Ministério da Saúde alerta para risco de casos de sarampo após Copa do Mundo

O Ministério da Saúde emitiu alerta sobre o risco iminente de reintrodução e disseminação do sarampo no Brasil em razão do fluxo intenso de viajantes para a Copa do Mundo 2026. Neste ano, a competição será sediada a partir de junho pelos Estados Unidos, Canadá e México, países que enfrentam surtos da doença.

A nota técnica descreve um cenário de alta transmissibilidade do sarampo nas Américas e um grande número de brasileiros com destino aos países-sede do evento, bem como a outros países onde há surto ativo da doença.

O risco de reintrodução do sarampo no Brasil é iminente, após o retorno desses viajantes ou da chegada de estrangeiros porventura infectados. Por isso, a vacinação oportuna de viajantes e a vigilância sensível dos serviços de saúde são estratégias cruciais.

O documento do Ministério da Saúde reforça recomendações de vacinação contra a doença. O objetivo é proteger viajantes e a população residente no Brasil, considerando que Estados Unidos, Canadá e México apresentam elevado número de casos e surtos ativos.

Estados, municípios e profissionais de saúde precisam priorizar a atualização vacinal e o monitoramento rigoroso de casos suspeitos. Isso é fundamental para manter o status do Brasil como País livre da circulação endêmica do vírus do sarampo.

Copa do Mundo e a mobilidade populacional

A Copa do Mundo 2026 ocorrerá entre os dias 11 de junho e 19 de julho de 2026. Os jogos serão sediados em cidades dos Estados Unidos, do México e do Canadá, com milhões de pessoas participando.

A estimativa é de um grande número de viajantes internacionais de diferentes regiões do mundo. Eventos de massa internacionais resultam em grande mobilidade populacional, favorecendo a disseminação de doenças transmissíveis, destacou o ministério.

A situação do sarampo nas Américas

O Ministério da Saúde define o sarampo como uma doença viral infecciosa aguda, altamente contagiosa e potencialmente grave. Sua transmissão ocorre principalmente por via aérea ou gotículas respiratórias.

O vírus pode se disseminar rapidamente em ambientes com grande concentração de pessoas. O sarampo permanece com ampla distribuição global, com persistência de surtos em todos os continentes.

Em 2025, foram confirmados 248.394 casos mundialmente, demonstrando que a circulação viral é uma ameaça crítica à saúde pública. Este cenário é agravado por bolsões de indivíduos suscetíveis e falhas na cobertura vacinal em diversas regiões.

Na região das Américas, há um aumento expressivo na incidência da doença, com milhares de casos de sarampo. Isso ocorre sobretudo nos países-sede da Copa do Mundo, como Canadá, México e Estados Unidos.

Em 2025, a epidemia de sarampo no Canadá causou 5.062 casos, resultando na perda da certificação de País livre da doença. Já em 2026, foram 124 casos, mantendo a área como de circulação endêmica.

O México observou uma situação semelhante, passando de 7 casos em 2024 para 6.152 em 2025. Em janeiro de 2026, registrou 1.190 casos, conforme dados preliminares.

Os Estados Unidos notificaram 2.144 casos em 2025 e 721 casos apenas em janeiro de 2026. Os três países enfrentam surtos ativos de sarampo, com transmissão contínua do vírus.

Este cenário de agravamento culminou na perda do status da região das Américas como zona livre de transmissão endêmica em novembro de 2025.

Brasil e o desafio da reintrodução

Apesar do contexto regional, o Brasil mantém o status de País livre da circulação endêmica do vírus do sarampo, conquistado em 2024. Em 2025, o País registrou 3.952 casos suspeitos.

Desses, 3.841 foram descartados, 46 permanecem em investigação e 38 foram confirmados. Dez casos foram importados, 25 relacionados à importação e três tiveram fonte de infecção desconhecida.

Um dado alarmante é que 94,7% dos casos confirmados em 2025 (36 de 38) ocorreram em pessoas sem histórico vacinal, destacou o ministério. Em 2026, até meados de março, o Brasil registrou 232 casos suspeitos.

Dois casos foram confirmados: uma criança de 6 meses, residente em São Paulo com histórico de viagem à Bolívia; e uma jovem de 22 anos, residente no Rio de Janeiro, com investigação em andamento. Ambas não estavam vacinadas.

O cenário epidemiológico atual reforça a vulnerabilidade do Brasil à reintrodução do vírus. A combinação de surtos ativos em países vizinhos, fluxo contínuo de viajantes e brasileiros não vacinados, junto com casos importados, eleva o risco.

Esquemas de vacinação recomendados

A vacinação é a principal medida de prevenção e controle do sarampo, e a proteção é oferecida gratuitamente pelo Programa Nacional de Imunizações. As vacinas disponíveis são a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e a tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela).

Dados da pasta mostram que, no Brasil, a cobertura da 1ª dose (D1) atingiu 92,66% em 2025, aproximando-se da meta preconizada de 95% em nível nacional. A homogeneidade chegou a 64,56%.

A cobertura da 2ª dose (D2) atingiu 78,02%, com homogeneidade de 35,24%. Esses resultados evidenciam a existência de pessoas não vacinadas contra o sarampo no Brasil.

Assim, o risco de reintrodução do vírus aumenta com o retorno de viajantes brasileiros infectados ou a chegada de estrangeiros contaminados. Isso pode levar a surtos e epidemias de sarampo.

Para viajantes internacionais, a orientação é verificar o cartão de vacina e procurar uma unidade de saúde para atualizar a situação vacinal contra o sarampo antes da viagem. O esquema detalhado deve ser seguido.

Crianças de 6 a 11 meses e 29 dias devem realizar a dose zero da vacina, no mínimo, 15 dias antes do embarque. Isso permite tempo hábil para a produção de anticorpos.

Crianças de 12 meses a adultos de 29 anos, que precisam do esquema vacinal completo de 2 doses, devem ter a 1ª dose realizada 45 dias antes da viagem. Isso garante tempo para a 2ª dose (30 dias após a 1ª) e período adequado para anticorpos.

Adultos de 30 a 59 anos, que precisam de uma dose da vacina, devem iniciar o esquema, no mínimo, 15 dias antes do embarque. Isso assegura tempo hábil de soroconversão.

Mesmo se a vacina não for administrada no período ideal, é recomendável que o viajante receba pelo menos uma dose antes de viajar. Isso pode ser feito até mesmo no dia do embarque, destacou o ministério.

Vigilância e prevenção são essenciais

Para o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, o risco de reintrodução da doença no Brasil é real. Estamos vivenciando um grande surto nas Américas, principalmente na América do Norte, ele ressalta.

Kfouri aponta casos também na Bolívia, Argentina e Paraguai. O deslocamento frequente de pessoas faz com que o risco de reintrodução da doença seja real, disse o especialista.

A chance de alguém entrar com sarampo aqui é grande. Para Kfouri, o Brasil precisa manter sua população vacinada, o que funciona como uma barreira para a transmissão do vírus.

É fundamental realizar uma vigilância bastante ativa para a detecção precoce de casos. Casos importados vão acontecer, como os 35 que tivemos em 2025.

Esses casos não se traduziram em uma cadeia de doença, o que significa que não temos transmissão mantida entre nós. O vice-presidente da SBIm ressaltou a importância de capacitação de todos os profissionais de saúde.

A capacitação deve focar não só no reconhecimento precoce da doença, mas também em ações imediatas de isolamento, bloqueio e coleta de exames. Em momentos de aglomeração, como a Copa, é preciso um cuidado ainda maior.

É essencial viajar com a vacinação em dia e estar alerta para os que voltam de lá com sintomas, concluiu.

Fonte: CP