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Número de mortos por inundações na Espanha passa de 200

Ao menos 205 pessoas morreram por conta das inundações que atingiram algumas regiões da Espanha. Segundo informações do jornal El País, os estragos, registrados principalmente na cidade de Valencia, mobilizaram mais 500 militares nos trabalhos de busca aos desaparecidos. Atualmente, a iniciativa já conta com 1,2 mil socorristas.

A ministra da Defesa da Espanha, Margarita Robles Fernández, definiu as inundações como uma tragédia horrível. O cenário ainda não se modificou na região, uma vez que a chuva permanece presente na região. Outras localidades receberam alerta laranja devido ao mau tempo, mas outras estão com alerta vermelho, principalmente cidades do litoral. Há locais em que o acesso não é possível.

em poucas horas uma quantidade de água equivalente à que cai em um ano, provocaram inundações que destruíram pontes, arrasaram casas e amontoaram centenas de veículos que dificultam o deslocamento dos serviços de emergência.

Muitos desses carros “estão vazios, mas outros, temos certeza, estão cheios”, disse Amparo Fort, prefeito do município de Chiva, à rádio estatal RNE.

Esta cidade de 16 mil habitantes, 40 minutos a oeste da cidade de Valência, vive uma situação dramática, disse seu prefeito.

“Continuamos pedindo água, pedindo mantimentos”, explicou entre lágrimas. “Devemos lembrar que há crianças, idosos e sanduíches” que não conseguem mastigar, “precisamos de comida triturada para bebês e idosos”.

As pessoas estão “perturbadas”

Aos problemas normais derivados da situação, somaram-se os saques, contra os quais o Governo prometeu firmeza e que já resultaram em 39 detenções.

“Eu estava no corredor do shopping e as pessoas entravam para pegar roupas, estavam saqueando…”, Fernando Lozano, morador de Aldaia, cidade do interior de Valência, explicou à AFP na quinta-feira.

“As pessoas estão perturbadas até que isso se normalize e o supermercado abra, está tudo muito ruim…”, argumentou.

Solidariedade e um grande necrotério

A cidade de Valência, capital da região homônima e terceira cidade da Espanha, foi pouco afetada pela tragédia que atingiu seu entorno. Lá, foi instalado um grande necrotério no complexo que abriga os tribunais, para agilizar a identificação dos corpos.

Ambulâncias iam e vinham, observou um jornalista da AFP, enquanto agentes de jaleco entravam no prédio acompanhando macas cobertas com lençóis brancos.

A área foi isolada pela polícia e os jornalistas foram mantidos à distância, sendo permitida a entrada apenas aos familiares dos mortos, aos poucos.

Da mesma cidade, partiu nesta sexta-feira um exército solidário de centenas de vizinhos em direção às zonas afetadas, aproveitando o feriado de Todos os Santos para ajudar.

Carregavam pás, vassouras, ancinhos, carrinhos de comida, fraldas, água. Alguns atenderam ao chamado de amigos, outros apenas para ajudar no que pudessem diante de uma tragédia histórica.

Fenômeno meteorológico de violência incomum

Em alguns locais da região de Valência, a mais afetada, caíram em poucas horas o equivalente “a um ano de chuvas”, indicou a Agência Estatal de Meteorologia (Aemet).

Esse dilúvio, causado por um fenômeno no Mar Mediterrâneo conhecido como “gota fria” – que ocorre quando uma massa isolada de ar frio em alta altitude desce sobre uma massa de ar mais quente – fez com que vários rios transbordassem e enormes torrentes de lama se formassem repentinamente. Quando alcançam tal magnitude, as “gotas frias”, podem ter “um efeito muito similar” aos furacões, diz Jorge Olcina, professor de Climatologia da Universidade Valenciana de Alicante, que vincula o desastre à mudança climática.

Solos secos e artificiais

A violência das enchentes também é explicada pela secura dos solos nas regiões afetadas, produto de anos de intensas secas na Espanha. Isso favorece um fenômeno no qual a terra é incapaz de absorver tanta água. Além disso, a região de Valência se caracteriza por diversas áreas com solos artificiais, onde os espaços naturais foram suplantados pelo concreto, completamente impermeável.

Houve “uma urbanização descontrolada e pouco adaptada às características naturais do território”, que agora “amplifica a periculosidade desses eventos”, explica Pablo Aznar, pesquisador do Observatório Socioeconômico de Inundações e Secas (OBSIS).

Fonte: CP