Podemos convida Leite para jantar com Moro na sexta e prestigiar convenção do partido no sábado
O Podemos do RS convidou o governador Eduardo Leite (PSDB) para sua convenção no sábado, 4, em Porto Alegre, e da qual participarão o ex-juiz e pré-candidato do partido à presidência da República, Sérgio Moro, e lideranças como a deputada federal e presidente da sigla, Renata Abreu, e os senadores paranaenses Álvaro Dias e Oriovisto Guimarães. Não será o único gesto do Podemos no sentido de reunir Moro e Leite. Nesta terça-feira, o senador Lasier Martins também está formalizando o convite a que o governador participe do jantar reservado que o Podemos organiza para Moro na noite de sexta, na sequência da chegada do ex-ministro a Porto Alegre, e com a presença de políticos e dirigentes de entidades representativas de diferentes setores, como a OAB e a Fiergs.
Os movimentos também não serão os primeiros do Podemos em direção ao governador gaúcho. No primeiro semestre deste ano, quando Moro ainda se mostrava indeciso e o governador de São Paulo, João Doria, era apontado como com grande vantagem na disputa interna que se organizava no PSDB, Renata Abreu veio a Porto Alegre, tomou café da manhã no Piratini e convidou Leite para ingressar no Podemos e lançar a pré-candidatura, mas ele recusou.
Passaram-se os meses, Moro entrou no partido, Doria venceu a prévia e hoje, no RS, o que o Podemos tem consolidados até o momento é a pré-candidatura de Lasier ao Senado, e um trabalho intenso para, a partir da eleição de 2022, formar bancadas na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa, com filiações que vêm sendo turbinadas pelo ingresso do ex-juiz. Tanto Lasier quanto o presidente estadual da sigla, Everton Braz, assinalam que a legenda não trabalha com a possibilidade de ter candidato próprio ao governo, preferindo ingressar em uma coligação. Nesta linha, não escondem os acenos ao PSDB e nem sua preferência por uma candidatura ao governo do hoje vice-governador Ranolfo Vieira Júnior. A inclinação pelo vice está, entre outros fatores, relacionada também a disposição do partido em se vincular a candidaturas ligadas às áreas jurídicas e da segurança, em um claro movimento para fortalecer a imagem de Moro.
“Estamos conversando com todas as forças, mas temos uma proximidade do governo do Estado, em especial do Ranolfo, inclusive por nosso passado comum no PTB, e é possível participarmos de uma coligação com ele candidato ao governo”, adianta Braz. Mais contido, Lasier afirma que Ranolfo é uma “boa perspectiva”, mas ressalva que o vice ainda não sabe se vai ser candidato. “Queremos coligação, mas não estamos nos oferecendo. Por enquanto, observamos o cenário. Até agora, estamos com candidatura independente ao Senado e, se por acaso não fecharmos uma aliança, vamos enfrentar assim mesmo”, garante o senador.
Tanto Moro quanto o agora pré-candidato do PSDB à presidência da República, o governador paulista João Doria, buscam construir palanques (formais e informais) para suas candidaturas no RS. Em parte do Podemos gaúcho, por exemplo, há o entendimento de que parcela de tucanos no Estado não vai ‘cicatrizar as feridas’ das prévias nas quais Doria derrotou Leite, o que abre diferentes possibilidades. Entre elas, a migração para outras siglas e a realização de campanhas regionais do PSDB em 2022 que, na prática, apoiem outro candidato à presidência que não Doria (em um cenário no qual tanto ele quanto Moro de fato se apresentem, e separados, para a disputa). É um tipo de ação que está longe de ser incomum em eleições gerais como a do próximo ano.
Fonte: Correio do Povo