fbpx
GeralSaúde

Profissionais alertam para os cuidados com fogos de artifício na virada do ano

Com a chegada das festas de ano novo, é comum o uso de fogos de artifício e outros artefatos explosivos. No entanto, o uso exige cuidado e cautela, já que o manuseio inadequado pode gerar riscos de queimaduras. Os casos podem ser superficiais, com atendimento inicial e liberação rápida, mas podem ocorrer níveis graves: além das queimaduras de segundo e terceiro grau, o paciente pode ter fraturas nos ossos, levando à amputação, lembra o coordenador de enfermagem da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Queimados do Hospital de Pronto Socorro (HPS), Tiago Fontana.

“A gente chama de queimadura por explosivo, ou queimadura por fogos de artifício. Então não é somente aquela queimadura de pele. Muitas vezes, tem esse trauma mais profundo, podendo gerar uma fratura e até mesmo sequela definitiva para esse paciente”, diz.

O profissional pontua que os principais cuidados envolvem não ingerir bebida alcoólica ao manipular os artefatos, e evitar deixar ao alcance de crianças e adolescentes. Ainda, seguir a orientação dos fabricantes e soltar um de cada vez em campo aberto, sempre virado para o lado contrário das pessoas. É possível, também, colocar o objeto em um recipiente com água após soltá-lo, para evitar que algum resíduo que não tenha explodido traga riscos.

Em Porto Alegre, o HPS e o Hospital Cristo Redentor são referências no atendimento a vítimas desses traumas. Ao longo deste ano, foram registrados 10 casos de queimaduras relacionadas ao uso de fogos artifícios no HPS, sendo um caso registrado no último Natal. “A gente teve um aumento significativo. No ano passado foram quatro acidentes registrados”, diz.

Especialista no tratamento de queimaduras e lesões de pele, a enfermeira da Vuelo Pharma, Andrezza Bareta, afirma que, em caso de queimaduras, a orientação é lavar o ferimento com água corrente, evitar cobrir a área afetada, não aplicar nada além de água e procurar assistência médica para casos mais sérios. “A aplicação de produtos caseiros, como pasta de dente, ervas e similares não é recomendada, pois pode agravar a queimadura e, ainda, prejudicar a avaliação do profissional de saúde”, ressalta.

Para o tratamento de queimaduras de segundo grau, aquelas que desprendem a pele ou causam bolhas, a profissional recomenda o uso de um curativo à base de celulose que atua isolando as terminações nervosas e minimizando a dor.

Cuidados no uso de fogos de artifício

 Cuidados no uso de fogos de artifício | Foto: Pedro Piegas

Em Porto Alegre, há três lojas autorizadas a vender os artefatos. Em uma delas, localizada no bairro Cidade Baixa, a gerente Carolina Cardoso relata que, para a virada de ano, o percentual de vendas de fogos de artifício é superior a 50%. Nessa época, os mais buscados são os tradicionais de mão, ainda que não sejam orientados a usarem assim. “Dentro de cada caixa vem uma base para ser fixada, para evitar o acesso dele à mão. Tu acendes o foguete, ele vai subir, fazer um som seria o de baixo ruído e vai abrir a cor, o efeito”, relata.

A profissional, que sempre explica os riscos e cuidados para os clientes, afirma que a primeira recomendação a quem vai manusear o objeto é ler todas as orientações da embalagem. “O fogo tem que ser respeitado. A pessoa tem que ter o cuidado e o zelo, porque fogo é fogo”, diz. Ela também ressalta o cuidado para transportar o artefato até o momento de soltá-lo, e que o objeto precisa ser vendido prensado dentro da caixa para que não sofra alguma alteração.

“Ele foi desenvolvido por fábrica para subir, mais ou menos, em torno de 30 a 40 metros e depois haver a abertura do efeito. A partir do momento que tu levas o produto da forma individual e vai sacolejando, por exemplo, no momento em que for soltar, ele pode sim, ocasionalmente, ser alterado, e a gente não tem condições de mensurar que altura ele vai subir. Muitas vezes o material acaba estourando em uma altura inferior ao que foi programado de fábrica, às vezes até na própria mão”, diz.

Cuidados no uso de fogos de artifício

 Cuidados no uso de fogos de artifício | Foto: Pedro Piegas

Em 26 de dezembro deste ano, foi promulgada a lei nº 16453, que altera a Lei nº 15.366, de 2019, em que determina ser proibido o manuseio, a utilização, a queima e a soltura de fogos de artifício, pirotécnicos, artifícios pirotécnicos e artefatos festivos similares que produzam efeito sonoro ruidoso. Em 2020, foi aprovada pela Câmara Municipal de Porto Alegre a proibição de fogos de artifícios ruidosos na Capital, restringindo a queima de fogos de artifício na Capital e estabelecendo penalizações e multas.

Fonte: CP