Protesto contra reforma trabalhista termina em confronto na Argentina
Manifestantes e policiais entraram em confronto na Argentina nesta quarta-feira (11), durante protesto contra a tramitação de uma reforma trabalhista proposta pelo governo. De acordo com a imprensa local, ao menos quatro agentes de segurança ficaram feridos e duas pessoas foram presas.
O Senado iniciou nesta quarta o debate sobre o projeto, que prevê mudanças nas regras trabalhistas, como flexibilização de contratos, redução de indenizações, facilitação de demissões e limitação de direitos, entre outros pontos.
Sindicatos e partidos de esquerda convocaram manifestações contra a proposta. A área no entorno do Palácio Legislativo, em Buenos Aires, foi cercada por forte esquema de segurança.
Segundo o jornal Clarín, as tensões começaram por volta das 15h, quando policiais tentaram apreender bandeiras de grupos de esquerda. Houve uso de spray de pimenta por parte das forças de segurança.
Mais tarde, ocorreu novo confronto nas proximidades da Praça do Congresso. Manifestantes lançaram pedras, garrafas e outros objetos contra os policiais. O Clarín também relatou a preparação de coquetéis molotov por participantes do ato.
Ainda segundo a imprensa argentina, a polícia voltou a utilizar spray de pimenta e empregou um caminhão com canhão d’água para dispersar os manifestantes. Uma cerca de proteção foi derrubada. As forças de segurança também efetuaram disparos com balas de borracha.
O governo defende que a reforma trabalhista pode estimular a formalização em um mercado em que cerca de 40% dos trabalhadores atuam na informalidade. A proposta também busca reduzir custos relacionados a ações judiciais trabalhistas.
A oposição e centrais sindicais contestam a medida, argumentando que as mudanças não devem gerar empregos em um contexto de estagnação econômica, queda do consumo e retração da produção industrial.
“O verdadeiro problema é a destruição de empresas pela abertura indiscriminada das importações”, afirmou Daniel Rosato, presidente da Associação de Pequenas e Médias Empresas Industriais Argentinas (IPA). Segundo ele, 18 mil companhias fecharam nos últimos dois anos. O setor defende que eventuais alterações trabalhistas sejam acompanhadas de políticas de incentivo ao investimento industrial.
Para viabilizar a tramitação, o governo negociou cerca de 30 mudanças no texto original com parlamentares. A meta é aprovar a proposta antes de 1º de março, data prevista para a abertura das sessões ordinárias do Congresso pelo presidente Javier Milei.
“Hoje ela será aprovada. É a lei possível, que deixará empresários satisfeitos e trabalhadores bastante satisfeitos. As mudanças de última hora serão conhecidas no debate”, declarou a senadora Carolina Losada, aliada do governo.
Há, no entanto, divergências entre sindicatos. Entidades mais combativas, como a que representa trabalhadores do setor de óleo (Aceiteros), defendem a convocação de greve.
Desde que Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, a política de abertura econômica e redução do papel do Estado foi acompanhada pela perda de cerca de 300 mil empregos formais, segundo dados citados por entidades sindicais, com impactos na construção civil, na indústria e nas economias regionais.
Fonte: O Sul