Visando manter protagonismo, PP deixa decisão sobre eleições no RS para 2026
Apenas em 2026, já no ano eleitoral, é que o PP do Rio Grande do Sul tomará uma decisão definitiva sobre o posicionamento do partido para as eleições estaduais. Disputado do centro à direita, e dividido por conta disso, a legenda busca até o início do ano que vem costurar um consenso em suas bases e dar tempo para que questões nacionais amadureçam.
Até lá, há equações locais e de ordem federal para equacionar. O PP, hoje, é cortejado para compor com o MDB do vice-governador, Gabriel Souza, e com o PL do líder da oposição na Câmara dos Deputados, Luciano Zucco. Além disso, conta com duas pré-candidaturas próprias: do presidente estadual do partido, deputado federal Covatti Filho, e do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo.
As indefinições levaram Covatti Filho a lançar uma carta aberta na noite de sexta-feira para determinar que cada um dos partidos envolvidos manterá suas pré-candidaturas até uma decisão conjunta no mês de março, com base em critérios objetivos de competitividade.
Internamente, no entanto, o objetivo é atingir dois consensos até janeiro: qual das duas pré-candidaturas próprias seguirá à frente para negociar acordos com aliados, se a de Covatti ou a de Ernani, e com qual sigla haverá uma composição, se o MDB ou o PL. A partir de então, inciaria-se um processo de mobilização das bases em torno do nome escolhido para se atingir uma maior capilaridade eleitoral nas pesquisas de intenção de voto e, assim, atingir-se uma posição de maior estofo para negociar com o aliado escolhido.
Essa nova estratégia, em parte, fez com que uma reunião originalmente entre as principais lideranças progressistas que originalmente teria como objetivo bater o martelo para os rumos do partido em 2026 fosse cancelada.
Em parte, pois há componentes nacionais. Afinal, o PP também negocia com partidos também em outros estados, principalmente o PL. Há uma ideia das direções nacionais de anunciarem parcerias nestes estados de forma conjunta. O PP gaúcho terá autonomia para tomar sua decisão, mas há a esperança de que possa haver uma consolidação no maior número possível de estados antes de um anúncio oficial.
Decisão local não impacta apenas 2026
Tanto dentre os quadros que constroem o PP há décadas no Estado quanto nas lideranças que foram descobertas recentemente no partido, há um sentimento que pode se traduzir na vontade de voltar a ser protagonista. Afinal, a última vez que governou o RS foi com Jair Soares, entre 1983 e 1987, ainda sob a sigla de PDS.
Despertado por uma autocrítica de que a agremiação se conformou em sustentar a base de diferentes gestões do Palácio Piratini, há latente o desejo de liderar um processo eleitoral. Talvez o ciclo 2026 esteja muito próximo, já que as candidaturas de Edegar Pretto (PT), Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL) são especuladas desde o final do ciclo anterior, em 2022.
Portanto, a decisão de aliança pode ser alicerçada mirando, inclusive, as próximas eleições. Neste cenário, o MDB teria um trunfo. Se assumir o Piratini do Estado, na hipótese do governador Eduardo Leite (PSD) sair para concorrer, e for eleito, Gabriel não terá direito a reeleição em 2030. Uma futura candidatura pode, então, ser uma peça-chave no tabuleiro.
Mas quem vota nas urnas é o eleitor e os dois partidos têm uma rivalidade muito forte em diversas regiões gaúchas. Além do mais, uma aliança com o centro poderia afastar o PP do eleitor da direita e, consequentemente, da própria identidade do partido, construída desde os tempos da Arena, durante o bipartidarismo político da ditadura militar.
Ao mesmo tempo, o PP foi fundamental para as duas gestões Leites na Assembleia Legislativa, além de ter atuado em secretarias estratégicas do Executivo nos últimos oito anos. Seja na defesa política de sustentação da gestão no Legislativo, seja operando na prática as políticas públicas que impactam a vida da população, o envolvimento do partido no governo foi crucial e não pode ser desconsiderado. Agora, mais uma vez, será novamente importante para determinar a continuidade, ou não, de um projeto iniciado ainda com José Ivo Sartori (MDB) há 10 anos.
Fonte: CP