A saúde precária dos solos agrícolas gaúchos
Erosão abrangente, compactação generalizada e pouca cobertura vegetal. Eis a síntese das condições de solos das lavouras de quase 5 mil agricultores familiares que já receberam em suas propriedades os técnicos da Emater/RS-Ascar pelo programa Operação Terra Forte.
A iniciativa é da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural e operacionalizada, a campo, pela instituição de assistência técnica, que tem por objetivo recuperar os solos ao submeter os ambientes agrícolas a práticas sustentáveis. Um total de 15 mil agricultores serão beneficiados, inclusive com o incentivo individualizado de até R$ 30 mil (R$ 300 milhões ao todo) do governo estadual, para que recuperem seus locais de produção. A ação foi deflagrada no início do ano e, na sequência, serão mais duas etapas para os demais 10 mil produtores.
“O Terra Forte é um programa que não buscou a simplicidade. Na verdade, buscou a complexidade, a customização”, resume o extensionista da Emater/RS-Ascar Ronaldo Carbonari a meta da proposta. “E por isso que cada produtor… não é nem cada produtor, (mas) cada gleba dentro de uma propriedade beneficiada é identificada, diagnosticada. São coletadas as amostras de solo em três camadas. E é feita a avaliação de erosão, de compactação, etc.”, descreve. E mais do que revolucionar as propriedades selecionadas, a ideia é que as melhorias técnicas e tecnológicas adotadas sejam replicadas pelos vizinhos.
No momento, a primeira etapa está na fase dos diagnósticos, que antecede a de elaboração dos planos customizados de enfrentamento dos problemas. “Então, onde há necessidade de calagem, se faz a calagem; onde não há necessidade, não se faz. Onde tem presença de erosão, se sugere, se planeja planos de cobertura, terraceamento”, explica Carbonari.
E foi neste primeiro estágio que se apurou as condições degradantes dos terrenos. A começar, pela erosão, que, nos últimos anos, só não está presente em 20% a 22% das superfícies analisadas. “Praticamente 80% têm esse problema. Na verdade, confirma as hipóteses, especialmente no meio acadêmico, de pesquisa. Qual é a novidade disso? A novidade é que nós fomos lá e confirmamos. São os problemas que o Terra Forte queria atacar realmente desde o início”, esclarece.
O técnico lembra que o programa procura estabelecer ou reforçar as condições ecossistêmicas desse meio para a resiliência climática dos futuros cultivos, visto as sucessivas estiagens que assolam as lavouras gaúchas. Assim, nesta perspectiva, quanto maior a profundidade das raízes e a facilidade para estas penetrarem, melhor será o enfrentamento das culturas a circunstâncias de menor quantidade de água disponibilizada pelas chuvas.
“Para crescimento radicular é importante que o solo tenha um perfil em profundidade corrigido, sem a presença de alumínio, que é um nutriente tóxico para as plantas. Nós fizemos essa avaliação em todas as glebas, em três camadas. Não é aquela amostra simples que coleto uma; não, são três. Para chegarmos até 40 centímetros de profundidade”, relata.
Nesta avaliação, os profissionais da Emater/RS-Ascar obtiveram as seguintes análises: na primeira camada, de 0 a 10 centímetros, só 17% das amostras não tinham restrição à penetração das raízes. “Então, mais de 80% das amostras têm problemas de acidez de 0 a 10 cm. E 74% têm restrições também na camada de 10 a 20. Na camada de 20 a 40 cm, a mais profunda, 40% das amostras também têm problemas de acidez”, detalha Carbonari.
“Confirma aquelas hipóteses de que o Rio Grande do Sul ainda deve dar uma atenção muito grande à calagem. Não é um problema resolvido. Muito antes pelo contrário”, alerta. “E à construção do perfil. (Pois) se quisermos adaptação climática, resiliência climática, temos que explorar esse perfil na maior profundidade. Isso nos conduz a medidas para correção desse problema”, sugere. A calagem é a aplicação do calcário para corrigir a acidez do solo, ou seja, reduzir a toxicidade do alumínio e, assim, favorecer a absorção de nutrientes pelas plantas.
Já a (falta de) proteção à superfície do terreno é outro importante gargalo identificado, ou seja, não há uma adequada cobertura com plantas (comerciais ou não) durante todo o ano. A conclusão foi de que 30% das lavouras têm menos do que 30% de cobertura.
“É um solo que está com muito pouca cobertura. Ele fica muito exposto à erosão quando chove demais; e quando não chove, a evaporar, perder a água muito rapidamente. A situação ideal, que é aquela que a gente espera, com mais de 90% do solo coberto com palha. (Mas) só encontramos em 9% das áreas até aqui”, conta. “Isto, a princípio, não é uma novidade, só confirma as hipóteses”, conclui.
A partir dos diagnósticos, nos dois anos do programa os agricultores devem implantar todas as ações de soluções dos problemas, fase a ser levada em prática já neste início de mês ou início de maio, nas chamadas “linhas tecnológicas”. “São sistemas de plantio direto, recuperação, renovação de pastagens, sistemas irrigados, sistemas integrados, florestas plantadas, inclusive que guardam relação com as metas do programa ABC+”, elenca Carbonari.
“Pelos próximos dois anos essas propriedades serão acompanhadas para garantir que, primeiro, o plano seja cumprido, e certamente será, mas, além de ser cumprido, que seja cumprido com a primazia técnica que exige”, complementa. “O Terra Forte é um programa para a resiliência e adaptação climática, com base em solos”, sintetiza.
Bioinsumos, a salvação (natural) das lavouras
Produtos elaborados a partir de microrganismos promovem melhorias e ganhos substanciais para solos e plantas, além de economia

Diversos microrganismos aplicados ao solo via bioBinsumos ajudam as plantas a se tornarem mais resistentes e resilientes a problemas climáticos como estiagens | Foto: Luis Wagner Rodrigues Alves / Embrapa / Divulgação / CP
A instituição CropLife Brasil fez um levantamento sobre a utilização de bioinsumos na agricultura brasileira e apurou que, no ano passado, os produtores aplicaram os produtos de origem biológica em 194 milhões de hectares, avanço de 28% sobre 2024, o que movimentou R$ 6,2 bilhões. A distribuição entre os tipos de produtos foi a seguinte: inoculantes (40%), bioinseticidas (24%), bionematicidas (23%) e biofungicidas (13%). Nos cultivos, os destaques foram soja (62% do total), milho (22%) e cana (10%).
Já no caso dos estados, foi constatado que o Rio Grande do Sul faz uso da tecnologia em apenas 4% de suas lavouras, bem atrás, entre outros estados agrícolas relevantes, de Mato Grosso (24% da área), São Paulo (17%), Goiás (14%) e Minas Gerais (10%).
Um contrassenso, visto que os bioinsumos podem ser de muita relevância, até fundamentais e decisivos na recuperação de solos e, ainda, impulsionadores da produtividade de lavouras comerciais. Além de promoverem ganhos econômicos ao produtor. A explicação é a sinergia histórica desses produtos com a natureza, sobretudo com os vegetais.
O engenheiro-agrônomo Marcelo Biassusi, assistente técnico da região de Porto Alegre da Emater/RS-Ascar, ressalta que o bioinsumo existe desde que a agricultura surgiu, afinal, o esterco de animais usado como fertilizante não deixa de ser um bioproduto.
Parceiros das plantas
“Hoje se trabalha muito com o bioinsumo isolado. Mas, na natureza, não é assim que funciona. Os microrganismos no solo e na planta trabalham em comunidade, uma comunidade de microrganismos. Não temos microrganismos atuando isoladamente na natureza”, explica. “Essa atividade do microrganismo com a planta faz parte da própria evolução da planta, é uma coevolução. A planta, no momento em que deixou a água — e a origem da planta é da água —, e (depois) se fixou na terra, começou a ter uma interação com o microrganismo que já existia ali”, esclarece, já que os primeiros microrganismos a surgirem na Terra foram as bactérias.
Assim, milhões de anos atrás, estes seres se alimentavam de energia solar e de rocha, de onde retiravam os nutrientes. Portanto, os microrganismos (matéria-prima dos bioinsumos), são, desde sempre, parte essencial da vida das espécies vegetais. “No momento que a planta se fixa no solo e começa a emitir a raiz, já começa a ter essa interação entre microrganismo e planta, é uma coevolução”, descreve.
Conforme Biassusi, no entorno da raiz existe a rizobainha, de cerca de 3 milímetros, onde vai se formando uma zona de troca, e a planta libera exsudatos (enzimas, vitaminas e aminoácidos), os alimentos dos microrganismos, que levam até a raiz os minerais que o vegetal necessita, principalmente os fosfatos.
Agregação de solo
“O microrganismo começa a liberar também substâncias. Por exemplo, alguns fungos liberam a glomalina, uma substância que ajuda a agregar o solo, formar pequenas partículas agregadas à raiz e ao entorno. E isso vai criando todo um ambiente favorável para que a raiz se desenvolva e absorva os nutrientes”, relata.
“O microrganismo ajuda a agregar as partículas do solo. E, com essa agregação das partículas do solo, tem uma melhor permeabilidade, uma melhor infiltração da água. Isso é muito importante. Ele serve como um tampão para mudanças drásticas”, prossegue. “A matéria orgânica funciona como um tampão contra variações drásticas de temperatura, contra variações drásticas de pH (de acidez, de alcalinidade), um excesso de adubo. Ele absorve e segura”, complementa.
Portanto, o microrganismo tem a importante função de solubilizar os nutrientes (ou seja, torná-los disponíveis à planta) e manter a zona da raiz protegida. E ainda ajuda a combater doenças ao estimular o sistema de defesa do vegetal a trabalhar. Neste ambiente, a bactéria Bacillus aryabhattai, por exemplo, ajuda a conservar o ambiente com mais umidade.
“Aumenta a capacidade da planta com relação a estresse hídrico. E esses microrganismos hoje foram isolados e estão sendo vendidos comercialmente”, lembra Biasussi. Os principais são o Bacillus subtilis, o Bacillus megaterium e o Bacillus aryabhattai, bactérias que ajudam na solubilização de nutrientes, mantêm a umidade no entorno da planta e ainda combatem determinadas doenças de solo. Além do Azospirillum brasilense, que ajuda a fixar o nitrogênio em gramíneas, e que foi desenvolvido pela Embrapa. Também há fungos como os do gênero Trichoderma, que controlam nematoides.
Ao fazer a multiplicação destes organismos e aplicá-los ao ambiente da lavoura comercial, é possibilitado aos cultivos amenizar os efeitos das adversidades climáticas, assim como a natureza fez ao longo do tempo. “A gente consegue restituir aquela vida que está no meio do mato, no meio da natureza, no meio natural para o ambiente de cultivo, para uma lavoura que já não tem mais esses microrganismos que estão na natureza. Então, a ideia é um pouco essa”, argumenta.
“Agora, só tirar o microrganismo do meio do mato e botar no meio de uma lavoura, sem um manejo adequado, não adianta. Ele vai ficar um tempo ali e acabar”, alerta. “Temos que lembrar qual é o ambiente em que se desenvolve. Um ambiente em que a incidência do sol não é direta. E (precisa) ter muita matéria orgânica. Tentamos desenvolver esse ambiente também no nosso sistema de cultivo. E é isso que preconiza, por exemplo, o plantio direto. Por isso a importância de ter palha como cobertura no solo”.
Tecnologia sustentável integra o Plano ABC+
Os bioinsumos compõem a iniciativa do governo para tornar a agropecuária brasileira ambientalmente mais responsável e produtiva

Suprir o nitrogênio para leguminosas como a soja é uma das ações benéficas dos microrganismo | Foto: Paulo Odilon Kurtz / Embrapa Trigo / Divulgação / CP
A tecnologia dos bioinsumos é uma das iniciativas que integram o Plano ABC+, política governamental voltada a tornar a agropecuária brasileira mais sustentável e produtiva. O coordenador do Plano ABC+ RS, Jackson Brilhante, engenheiro florestal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), destaca que a meta do grupo formado por 20 entidades gaúchas é elevar o uso dos bioinsumos em 1 milhão de hectares até 2030, sobretudo os promotores de crescimento e os rizóbios (que fazem a fixação biológica do nitrogênio), microrganismos que ele chama de “bactérias do bem”, fundamentais para a resiliência climática e sustentabilidade ambiental.
“Ao dispensar o uso de fertilizantes, isso representa uma economia para o produtor. Reduz custo e permite também contribuir para evitar uma emissão de um gás chamado óxido nitroso, que tem um potencial de aquecimento global 300 vezes maior do que o CO2, o dióxido de carbono”, lembra Brilhante. “A bactéria está fazendo o papel do fertilizante. Essas plantas não precisam, não necessitam de fertilizante nitrogenado porque as bactérias já fazem esse serviço, de forma gratuita, pelo processo de simbiose, uma troca.
A bactéria se abriga na raiz e a planta deixa ela ficar ali e, em troca, a bactéria disponibiliza gratuitamente esse nitrogênio.” Neste momento de guerra Oriente Médio, que encareceu os fertilizantes químicos, sobretudo a Ureia (que contém o nitrogênio), o uso de bioinsumos também representa economia pela retirada do elemento do ar e sua disponibilização às espécies da família das leguminosas (soja, feijão, cornichão e outras).
Da mesma forma, as bactérias do gênero Azospirillum promovem o crescimento radicular, o que é fundamental na resistência às carências hídricas. “Quando fazemos a inoculação desses promotores de crescimento que estão nos bioinsumos, estimulamos o crescimento radicular nas plantas. Isso faz com que a planta gaste menos energia para expandir o sistema radicular e acessar camadas mais profundas”, elucida.
“Em período de estiagem, com restrição hídrica, ter plantas inoculadas com esse grupo de bactérias dá maior resiliência, porque as plantas vão crescer, ter maior sistema radicular e poder acessar camadas mais profundas, na subsuperfície do solo, e com isso serão menos susceptíveis à seca”, complementa.
Apesar destes imensos benefícios, a tecnologia, não vem sendo adotada na agricultura gaúcha com a adesão que deveria. “Isso aqui no RS não tem expandido da forma que a gente gostaria. Estamos aquém da nossa meta. Estamos praticamente estagnados”, lamenta Brilhante. “Não por falta de tecnologia. É uma questão de ter uma assistência técnica, talvez, mais definitiva junto aos produtores mostrando a importância, porque o custo do inoculante é muito baixo comparado com o ganho que vai resultar”, argumenta. “Isso passa por uma questão que vai além da pesquisa, da Embrapa e da Secretaria da Agricultura.”
O especialista relata que, muitas vezes, o produtor aplica o bioinsumo e diz, “ah, não funcionou”. “Sim. Mas, talvez, por exemplo, como é bactéria, não posso aplicar num período muito quente. Tenho que escolher o melhor horário do dia. Porque se eu colocar (em período) muito quente, vou aplicar aquele produto e ele não vai fazer efeito, porque é uma vida, é material biológico”, justifica.
“Então, há uns certos cuidados que, talvez, o produtor não enxergue que está dando resultado, mas às vezes faltou uma orientação, capacitação para o uso desse produto, porque é diferente de aplicar um fertilizante.” E a ironia, cita Brilhante, é que o Rio Grande do Sul é o “berço” dos bioinsumos, a partir de uma fábrica de inoculantes em Pelotas, ainda nos anos 1950.
Quais são as bactérias que fazem um grande bem aos cultivos
São muitos os microrganismos que promovem melhorias consideráveis aos cultivos. O Bradyrhizobium, por exemplo, é importante para proporcionar à planta da soja o fundamental nitrogênio. “Na cultura da soja, a necessidade de nitrogênio é satisfeita através da fixação biológica do nitrogênio, feita pelo Bradyrhizobium, não havendo a necessidade do uso de fertilizantes nitrogenados”, destaca o professor Thomas Martin, coordenador do Grupo de Pesquisa em Manejo e Sustentabilidade de Grandes Culturas de Coxilha, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O grupo promove ensino, pesquisa, extensão e inovação no manejo sustentável há 15 anos.
O Bradyrhizobium é introduzido no solo por meio de inoculantes, no processo inoculação, e assim realiza a simbiose com as plantas de soja, formando nódulos nas raízes. Conforme ele, na atual safra nacional de soja, 85% da área recebeu o Bradyrhizobium, enquanto nas lavouras gaúchas apenas 61% das sementes foram submetidas à inoculação.
“Embora o Rio Grande do Sul seja pioneiro na pesquisa e utilização de inoculantes, essa menor adoção em relação ao resto do país se deve à crença, errônea, de que bactérias presentes no solo, oriundas de inoculações anteriores, sejam capazes de sustentar o mesmo patamar de produtividade”, explica Martin.
“A inoculação anual (a reinoculação) é importante e garante 8% de aumento de produtividade, em média. Para o Brasil, a economia estimada pelo uso de Bradyrhizobium na soja é de 15,2 bilhões de dólares por ano.”
Já a inoculação do Bacillus aryabhattai ajuda na tolerância ao estresse hídrico, pois promove a resiliência climática da lavoura de soja. “Este microrganismo produz biofilmes na zona das raízes, formando uma camada de gel que permite a manutenção da umidade em estresses hídricos moderados. Nessas condições, uma lavoura com presença de Bacillus aryabhattai tem produtividade de grãos entre 8% e 15% maior que uma lavoura sem a presença”, descreve o professor, com dados elaborados pelo Grupo.
Além disso, o microrganismo favorece outras funções importantes, pois a produção de fitohormônios estimula o desenvolvimento do sistema radicular, e as raízes mais profundas e ramificadas permite melhor exploração do solo, o que resulta em maior absorção de água e nutrientes. E ainda promove a solubilização de fósforo, ou seja, torna o elemento disponível à planta, pela produção de ácidos orgânicos e inorgânicos.
Resiliência climática
E também o Azospirillum melhora a resiliência climática. “O Azospirillum brasilense produz fitohormônios que estimulam o crescimento das raízes. Quando usado em conjunto com Bradyrhizobium (em coinoculação), o maior desenvolvimento radicular oferece mais pontos de contato (pelos radiculares) entre raiz e Bradyrhizobium, promovendo aumento da nodulação e maior eficiência da fixação biológica do nitrogênio. O uso de coinoculação promove, em média, 8% de aumento na produtividade de grãos na soja”, afirma.
“Além disso, com um sistema radicular mais desenvolvido, a planta explora um volume maior de solo, acessando mais água e nutrientes. Isso é importante em momentos de estresse hídrico. A coinoculação com Bradyrhizobium e Azospirillum brasilense pode resultar em produtividade de grãos maior em 33% do que o uso de Bradyrhizobium isolado, em estresses hídricos moderados”, complementa.
A coinoculação Bradyrhizobium + Azospirillum brasilense é utilizada em 26% da área de soja no Brasil e em apenas 18% da gaúcha.
O professor ainda ressalta que os microrganismos se caracterizam por serem, muitos deles, “multifuncionais”. “O que significa que podem realizar mais de uma função, que auxiliam no manejo das culturas. Assim, podemos usar microrganismo para promoção de crescimento das plantas, como Bacillus subtilis, Trichoderma sp., Bacillus pumilus, Bacillus megaterium, Bacillus amyloliquefaciens, Pseudomonas sp..
Microrganismos que atuam na proteção de raízes, como Bacillus subtilis, Trichoderma sp. e Pseudomonas sp., ou na solubilização de fósforo, como Pseudomonas sp., Bacillus megaterium”, argumenta. “Podemos, ainda, usar microrganismos que atuam como protetores contra pragas e patógenos. E para a proteção contra doenças, o Bacillus pumilus e Trichoderma sp.. Para o controle de pragas, Chromobacterium subtsugae, Beauveria bassiana, Metarhizium anisopliae, Nomuraea rileyi, Bacillus thuringiensis.”
Já microrganismos como Pseudomonas e Bacillus melhoram a produtividade a ainda reduzem o uso de adubos fosfatados. “A utilização de microrganismos solubilizadores de fosfato promovem um ganho médio de 7,5% na produtividade, associado à redução de 30% no uso de fertilizantes fosfatados”, diz.
Fonte: CP