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Abel Braga está diante da chance histórica de se tornar herói (mais uma vez)

Aos 73 anos e depois de quatro anos afastado dos campos, Abel Braga voltou ao Beira-Rio para assumir talvez a missão mais ingrata de sua carreira: tentar salvar o Inter do rebaixamento. Técnico com mais jogos pelo clube e responsável pelas maiores glórias coloradas, como a Copa Libertadores e o Mundial de 2006, ele atendeu ao chamado num dos momentos mais delicados da história recente do Inter. Se ele cumprir a missão, ficará marcado como o grande herói da temporada, aumentando ainda mais o seu status diante dos colorados. Se falhar, sua história não será maculada.

O convite partiu diretamente do diretor esportivo Andrés D’Alessandro, em um telefonema feito no sábado à noite. Na manhã seguinte, Abel partiu do Rio de Janeiro e, à tarde, já estava no CT Parque Gigante conduzindo seu primeiro treino, numa demonstração clara de urgência, compromisso e afeto pelo clube que marcou sua trajetória.

A decisão de voltar ao trabalho surpreendeu não apenas pela idade e pelo período de aposentadoria, mas também pela sinceridade com que Abel revelou carregar uma espécie de dívida emocional desde 2016. Na apresentação, ele afirmou que aceitou o convite porque, naquela temporada, recusou a oportunidade de assumir o time e acabou assistindo, de longe, ao primeiro rebaixamento da história colorada.

“Eu espero poder apagar essa coisa que me incomoda aqui um pouquinho”, disse ele, em sua entrevista de apresentação. A missão agora não é simples: dois jogos decisivos para evitar uma nova queda, começando com a partida já realizada contra o São Paulo (derrota por 3 a 0) e culminando no confronto deste domingo diante do Bragantino, no Beira-Rio. Após a partida na Vila Belmiro, ele disse que o time jogaria pela honra em casa.

Abel retornou sem remuneração, com um contrato específico para estas partidas finais, guiado apenas pela convicção de que poderia ajudar. “Se eu não acreditasse, não viria”. A frase foi recebida pela torcida como um sinal de esperança em meio ao ambiente de desconfiança e frustração que tomou conta do clube.

O treinador também deixou claro que gostaria de permanecer no Inter após o fim do Brasileirão. Manifestou publicamente o desejo de trabalhar com D’Alessandro em 2026, caso o projeto fosse viável. Porém, ele e todo mundo sabem que o futuro é incerto: nem ele, nem D’Alessandro e nem mesmo o presidente Alessandro Barcellos estão garantidas em caso de rebaixamento. Afinal, a queda para a Série B provocaria uma redução significativa de receitas e desencadearia uma série de mudanças estruturais, capazes de alterar profundamente o funcionamento do clube na próxima temporada.

Por tudo isso, o peso que recai sobre Abel nesta reta final é imenso. Se o Inter escapar da Série B, ele será imediatamente consagrado como o grande herói da salvação.

Fonte: CP