Alexandre Mendes ainda não foi reintegrado à comissão técnica do Grêmio
Exatamente uma semana depois da derrota para o Palmeiras e pouco menos de outra semana para o jogo contra o Juventude, Renato Portaluppi segue como voz única no Grêmio a se manifestar sobre ambos os embates. Constrangido, deu suas explicações para atuação em São Paulo e projetou mudanças, pelo menos de desenho de time, para o duelo regional da Arena. Situações como essa têm sido comuns há algum tempo no clube. Uma delas, porém, nem o treinador comentou até agora, o que gera, no mínimo estranhamento ou dependendo do ponto de vista, até uma pista para 2025.
Em 17 de setembro, seu auxiliar e braço direito Alexandre Mendes foi afastado do clube, segundo nota enviada a alguns jornalistas na época, para resolver “problemas particulares”, esclarecimento feito somente dois dias depois do afastamento. “Só se tornam (os problemas) do Grêmio porque ele é funcionário do clube”, disse na mesma noite o presidente Alberto Guerra.
O processo de acusação de violência doméstica contra uma mulher foi arquivado pelo Ministério Público em 20 de outubro. De lá para cá, no entanto, o profissional não foi reintegrado às suas atividades. Não se sabe se Renato permanecerá em 2025, mas tirar do seu lado alguém de sua confiança não é fortalecê-lo.
A defesa de Mendes desconhece as razões para tal. Procurado para passar um posicionamento do departamento jurídico do Grêmio, o executivo de comunicação Eurico Meira respondeu “não ter a informação atualizada” do caso. Tal fato chama atenção não somente por se tratar de alguém que, na ausência de Renato, comandou o time inúmeras vezes, mas pela proximidade com o técnico. A dupla está junta há mais de 20 anos.
Nesse particular a estranheza também chega às paredes do CT Luiz Carvalho. Mendes nunca teve apreço da maioria dos colegas que o conheciam de outras passagens, mas em 2022 voltou ao vestiário ciente de que também pela alta cúpula não era bem-vista a sua influência sobre Renato.
Sendo assim, à medida que Marcelo Salles também foi incorporado à comissão como um terceiro auxiliar, Mendes mudou seu comportamento para tentar limpar sua imagem com os antigos e novos colegas no Tricolor. Há quem diga, inclusive, que ele teve êxito na iniciativa nesses quase dois anos de trabalho e por isso o seu não retorno não é bem entendido internamente.
Dentre tantos temas tocados nas entrevistas recentes de Renato, este é um em débito. O fato é que, assim como no episódio na placa da Calçada da Fama de Roger Machado, na cirurgia do tornozelo direito de Kannemann ou simplesmente um hipotético começo de remobilização para o jogo contra o Juventude, por ora o posicionamento adotado é o do silêncio.
Fonte: CP