Ar-condicionado: qual a temperatura ideal durante o verão para não prejudicar a saúde?
Com a subida dos termômetros durante o verão, o uso do ar-condicionado deixa de ser luxo e passa a ser necessidade em ambientes de trabalho e residências. No entanto, o que parece um refúgio pode se tornar um vilão para a saúde se o termômetro for ajustado sem critério.
Para garantir a eficiência energética e a segurança sanitária, o mercado brasileiro segue diretrizes rigorosas. Entenda quais são e como otimizar seu uso.
Qual a temperatura ideal do ar-condicionado segundo a Anvisa?
Muitos usuários acreditam que colocar o aparelho em 17°C fará o quarto esfriar mais rápido, mas isso é um equívoco técnico. O compressor trabalhará na mesma potência, apenas por mais tempo, gerando um gasto energético desnecessário.
A Resolução RE nº 9 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é o padrão ouro para a qualidade do ar em ambientes climatizados. Ela estabelece que:
- No verão: a faixa recomendável de temperatura deve ficar entre 23°C e 26°C.
- Exceções: em locais com alta carga térmica (muitas máquinas ou pessoas), a temperatura pode operar em 21°C, mas o ideal para o conforto humano permanece nos 23°C.
- Umidade: o índice deve ser mantido entre 40% e 65%. Abaixo disso, o ar torna-se excessivamente seco, facilitando infecções.
Os riscos do uso excessivo e temperaturas muito baixas
O desrespeito às normas da Anvisa não causa apenas desconforto térmico; ele abre portas para quadros clínicos complexos. O uso de temperaturas excessivamente baixas (abaixo de 20°C) de forma prolongada pode resultar em:
- Ressecamento das mucosas: o ar-condicionado retira a umidade do ar. Mucosas secas no nariz e garganta perdem a capacidade de filtrar vírus e bactérias.
- Choque térmico: a saída brusca de um ambiente a 18°C para uma rua a 35°C causa uma contração rápida dos vasos sanguíneos, o que pode baixar a imunidade e causar tonturas.
- Agravamento de doenças respiratórias: crises de rinite, sinusite, asma e bronquite são gatilhadas pelo ar frio e seco.
- Dores musculares: o frio excessivo pode causar contraturas, especialmente na região do pescoço e ombros.
- Ressecamento ocular: usuários de lentes de contato são os que mais sofrem com a baixa umidade, sentindo irritação e vermelhidão.
Guia do uso consciente
Para unir economia na conta de luz e preservação da saúde, confira estas dicas práticas:
- Mantenha os 23°C: evita sobrecarga do compressor e protege o sistema respiratório.
- Mantenha portas e janelas fechadas: impede a troca de calor com o exterior, reduzindo o consumo de energia.
- Limpeza de filtros: filtros sujos forçam o motor e espalham poeira e fungos pelo ar.
- Use a função “Sleep”: durante o sono, o corpo relaxa e a temperatura corporal cai; a função ajusta o clima automaticamente.
- Umidifique o ambiente: uma bacia com água ou umidificador ajuda a combater o ar seco do aparelho.
Equilibrar o bem-estar e o consumo consciente é o segredo para um verão tranquilo. Lembre-se: o ar-condicionado deve servir para climatizar, não para congelar.
Qual a recomendação de temperatura ideal para veículos?
Embora a Anvisa foque suas regulamentações, como a Resolução RE nº 9, em ambientes internos e edifícios coletivos, os princípios de saúde pública estabelecidos pela agência servem de norte para o uso em veículos. No carro, a temperatura recomendada por especialistas deve oscilar entre 22°C e 24°C.
O objetivo é manter o condutor alerta e evitar o ressecamento excessivo das vias aéreas em um espaço tão confinado, onde a umidade do ar cai drasticamente de forma mais rápida do que em grandes salas.

Uso do ar-condicionado em veículos também deve ser com cautela | Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil / CP
O uso de temperaturas excessivamente baixas no automóvel, muitas vezes ajustadas no mínimo do aparelho, eleva os riscos de choque térmico e crises respiratórias. Ao sair de um habitáculo “gelado” diretamente para o calor extremo do asfalto, o corpo sofre um estresse cardiovascular súbito.
Além disso, o fluxo direto de ar frio no rosto e no peito pode causar dores musculares e paralisar os cílios das mucosas nasais, que são a primeira barreira de defesa contra vírus e poluentes externos.
Para um uso consciente e saudável, a recomendação técnica é de que o motorista expulse o ar quente acumulado abrindo as janelas antes de ligar o sistema. Outra prática essencial é a troca anual do filtro de cabine, garantindo que o ar circulante esteja livre de fungos e bactérias.
Desligar o compressor alguns minutos antes de chegar ao destino ajuda a secar o sistema e prepara o organismo para a temperatura externa, unindo economia de combustível à preservação da saúde.
Fonte: CP