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Arena do Grêmio: Romildo Bolzan fala sobre imbróglio e obstáculos para recebimento da propriedade livre de ônus

Hélio Dourado tinha planos para tornar o Olímpico lindíssimo e com nova cara.
Foi vencido.

Fábio Koff assumiu a presidência dizendo que a Arena não era do Grêmio. Depois de muita costura com a OAS afirmou que a Arena era do Grêmio. Como a OAS não cumpriu o acordado, o estádio seguiu tendo como gestora a Arena Porto Alegrense, braço da OAS, hoje Metha.

Romildo Bolzan tinha como sonho comprar a gestão da Arena. Peleou muito, mas como Koff esbarrou em problemas insolúveis. No final do mandato chegou a afirmar que a compra da gestão não aconteceria mais.

Alberto Guerra achava que nada como uma conversa franca com a OAS para resolver questão. Terminou como este colunista previa: judicializou a questão do seguro contra a enchente.

Segue uma entrevista com o ex-presidente Romildo Bolzan. Entre outras coisas, ele confirma que não há segurança de que a Arena será do Grêmio sem obstáculos jurídicos nem quando a gestora for obrigada a entregar o estádio, em 2033. O clube poderá herdar uma Arena com problemas e endividada.

Sua gestão foi a primeira a entra com uma ação contra a gestora, a Arena Porto-Alegrense, braço da OAS. Qual o motivo?

Romildo Bolzan: A primeira ação movida pelo Grêmio foi para garantir a operação e manutenção da Arena, antes do repasse da amortização do financiamento bancário junto aos bancos credores da Arena Porto Alegrense. O objetivo do clube naquela ocasião era assegurar condições adequadas de utilização e conservação do estádio.

Quantas tentativas foram feitas para comprar a gestão do estádio e porque todas fracassaram?

Romildo Bolzan: Durante todo o período da gestão entre 2015 e 2022 tentamos incessantemente assumir antecipadamente a gestão do estádio e resolver o imbróglio que envolve as obras do entorno e o estádio Olímpico. Pelo menos em 2 ocasiões (2017 e 2019) praticamente chegamos a um acerto entre as partes, que não foi cumprido pela OAS/Arena Porto-Alegrense. Ainda, em 2022, já no último ano de mandato, tentamos encontrar uma solução junto a Metha, sem êxito, novamente.

O senhor chegou a dizer no final da gestão que pretendia judicializar algumas questões. Quais?

Romildo Bolzan: Apuramos diversas irregularidades à luz do contrato atípico e escritura de superfície, assim como, outras relacionadas à gestão da Arena Porto-Alegrense. Preparamos a estratégia jurídica para adoção de uma série de medidas para salvaguardar os interesses e direitos do clube. Tudo isto consta de relatório entregue à atual gestão no período em que realizamos a transição.

Há uma informação de que a Arena Porto Alegrense, braço da OAS, repassa dinheiro para a Metha ou investidores. Quem é a Metha? Poderia explicar essa situação?

Romildo Bolzan: Estas informações constam das Demonstrações Financeiras da Arena Porto-Alegrense e estão no rol das irregularidades que apontamos no relatório entregue a atual gestão. Metha é a atual controladora da Arena.

A sua gestão teria recebido um relatório dando conta de uma necessidade de R$ 22 milhões para reparo no estádio. Confere?

Romildo Bolzan: Sim. Em 2019 contratamos empresa especializada para apurar a situação patrimonial do estádio e foi constatado um déficit de manutenção em torno de R$ 20 milhões.

A principal dificuldade que qualquer negociação é com a Arena Porto Alegrense, OAS, Metha?

Romildo Bolzan: Os representantes da Arena Porto Alegrense são meros interlocutores sem nenhuma autonomia de decisão. Num primeiro momento o entrave foi a OAS e na etapa final a Metha.

Caso o pendenga não se resolva, o Grêmio será dono da Arena e da gestão em nove anos. Há o temor de que, neste caso, o clube enfrente complicações para receber a Arena desembaraçada?

Romildo Bolzan: Com certeza este imbróglio poderá ocasionar obstáculos jurídicos para o recebimento da propriedade plena do estádio livre de ônus.

Fonte: CP