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Articulações nacionais, rachas internos e disputas marcam corrida ao Piratini

Articulações nacionais, rachas internos e disputas ferrenhas por blocos específicos do eleitorado vão marcar a corrida pelo governo do Rio Grande do Sul em 2022. Às vésperas do início do ano eleitoral, o cenário segue em aberto. As definições devem se concretizar a partir do mês de março, o que aumenta as articulações entre siglas que, na verdade, se movimentam desde o início de 2021. 

Ao longo dos últimos 12 meses, o cenário regional já teve várias alterações. O PSB lançou pré-candidato e pode suplantar uma candidatura petista. O MDB, que a princípio se encaminhava para um nome de consenso, agora luta para acalmar as disputas internas, mas tem prévia marcada. A antecipação da pré-candidatura do PP não conseguiu barrar a concorrência no campo da direita. E o PDT, que parecia ter um nome competitivo, atualmente debate a viabilidade da candidatura própria. 

Confira, a seguir, os nomes que, a 10 meses do pleito, estão colocados no tabuleiro.

Alceu Moreira (MDB) – O deputado federal e presidente estadual do MDB largou na frente nas articulações internas para se lançar ao governo, e vem conduzindo o processo com muita negociação, mas enfrenta resistências dentro do partido. De um lado, do grupo que ‘fecha’ com o ex-governador José Ivo Sartori, e é contra um alinhamento direto com o governador Eduardo Leite (PSDB) e sua sigla. De outro, também de uma fatia da ala do MDB que prioriza uma aliança com o PSDB para 2022, na qual ele se inclui. Esses emedebistas concordam com Alceu sobre a aliança com os tucanos, mas avaliam que ele não seria a alternativa mais indicada para se apresentar como ‘herdeiro’ de Leite. O MDB tem marcada prévia em fevereiro para definir seu candidato.

Beto Albuquerque (PSB) – Animado por sondagens partidárias e convicto de que o RS deve integrar o grupo de estados nos quais o PT abrirá mão de uma candidatura própria ao governo em seu favor, o PSB lançou Beto ao Piratini em setembro. Nas negociações nacionais entre os dois partidos, o PSB pleiteia que o PT apoie seus candidatos em pelo menos cinco estados, como contrapartida para que os socialistas apoiem o ex-presidente Lula (PT) na corrida presidencial. Desde que as negociações de uma chapa Lula/Geraldo Alckmin (sem partido) avançaram (uma possibilidade é de que Alckmin se filie ao PSB), socialistas fazem comparações. Porque, assim como o ex-tucano, Beto tem bom trânsito em segmentos do eleitorado do centro e até da centro-direita.  

Edegar Pretto (PT) – Deputado estadual em terceiro mandato e o mais votado do partido na Assembleia Legislativa nas três eleições, o parlamentar teve sua pré-candidatura colocada e reafirmada pela legenda no RS em diferentes ocasiões. De público, integrantes da executiva estadual e lideranças petistas no Estado garantem que o PT terá candidatura própria e não apoiará o candidato do PSB ao governo. Nos bastidores, contudo, a vinculação às negociações nacionais existe, e são feitos pelo menos dois cálculos. O primeiro sobre o risco de insistir em Edegar e, ao final, nem ele e nem Beto Albuquerque conseguirem ir ao segundo turno. O segundo trata das consequências de tirar da corrida na proporcional o ‘puxador’ de votos da bancada.   

Eduardo Leite (PSDB) – O governador vem assinalando, de forma repetida, que não será candidato à reeleição. Seu objetivo em 2022 era disputar a presidência da República, e ele tentou obter a indicação de seu partido para se tornar o pré-candidato tucano, mas foi derrotado pelo colega paulista, João Doria, nas prévias do PSDB. Tão logo saiu o resultado, Leite reafirmou que não disputará o governo. Seu nome, contudo, continua a ser lembrado em função dos índices de intenções de voto que tem em sondagens feitas por diferentes partidos. Em função dos números, tanto no PSDB como no MDB há pré-candidatos que se apresentam como de continuidade de sua administração. Quanto ao governador, seu rumo político continua em aberto.

Gabriel Souza (MDB) – O presidente da Assembleia Legislativa tem o desejo de disputar o governo, mas reafirma que a preferência é de Alceu Moreira, com quem mantém relação estreita. Como os dois têm a mesma base eleitoral, no Litoral, se nenhum deles obtiver a indicação na majoritária, Gabriel deverá abrir mão ainda de tentar a Câmara Federal, outra de suas opções para 2022. Ambos também acreditam que o MDB deve priorizar a aliança com o PSDB e o alinhamento com o governador Eduardo Leite, apresentando seu candidato como de continuidade à administração tucana e, antes dela, à de José Ivo Sartori (MDB). A proximidade de Gabriel do governador, contudo, incomoda parte dos emedebistas, que acusam Leite de tentar decidir o candidato do partido.

José Paulo Cairoli (MDB) – O empresário foi vice do ex-governador José Ivo Sartori (MDB) e seu desejo de concorrer ao Piratini não é recente. Mas sua filiação ao MDB, ocorrida em setembro, está relacionada ao racha interno do partido, no qual o grupo que se articula em torno de Sartori (que inclui Cairoli e nomes como Pedro Simon, Marco Alba e Cezar Schirmer) não quer se vincular a Eduardo Leite (PSDB), e muito menos apresentá-lo como continuidade à gestão do emedebista. No início do mês, Cairoli admitiu disputar a prévia emedebista, o que foi entendido como mais um movimento do grupo para enfraquecer os alinhados a Leite.  A preferência, no entorno de Sartori, é por uma chapa na qual o partido tenha o candidato ao governo e ao Senado (o próprio ex-governador).

Luis Carlos Heinze (PP) – O senador foi o primeiro a lançar a pré-candidatura ao governo, em junho, e se apresenta como representante do eleitorado de direita e alinhado ao presidente Jair Bolsonaro (PL). O lançamento precoce visava evitar repetir 2018. Naquele ano, em negociações cheias de reviravoltas, e vinculadas aos acordos nacionais, Heinze tentou disputar o Piratini, mas precisou retirar seu nome da corrida em favor de uma aliança do PP com o PSDB, transferindo-se para a competição ao Senado, na qual saiu vitorioso. Agora, o PP garante que manterá sua candidatura sob qualquer circunstância. Mesmo que Bolsonaro venha a dar preferência, no RS, ao palanque do ministro Onyx Lorenzoni, que disputa eleitorado com o senador.

Onyx Lorenzoni (Dem) – Para disputar o Piratini, seguir vinculado ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e se apresentar como o candidato de Bolsonaro no RS, o ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni, migrará para o PL. Seu atual partido, que anunciou processo de fusão com o PSL para formar uma nova sigla, o União Brasil, descartou o alinhamento ao presidente. A articulação forte de bastidor amarrada pelo ministro e bons índices de intenção de voto o mantiveram na disputa, apesar de todo o trabalho do PP, que tentava garantir exclusividade do palanque de Bolsonaro no RS para o senador Luis Carlos Heinze. Onyx e Heinze disputam as mesmas fatias do eleitorado e a chance de uma aliança nacional que una PL e PP mantém o tabuleiro em aberto.

Pedro Ruas (PSol) – A pré-candidatura ao governo foi apresentada pelo diretório do Psol no dia 11. Até então, era tido como certo que Ruas integraria a nominata para a Assembleia Legislativa, como forma inclusive de ajudar a aumentar o número de cadeiras da sigla no Parlamento. Lideranças do Psol argumentam, para a troca, que Ruas obtém bons índices em sondagens internas, na comparação com outros nomes do bloco à esquerda. Em setembro, em congresso do partido, o vereador Jurandir Silva, de Pelotas, também havia sido apontado como possível pré-candidato ao Piratini. A decisão sobre os nomes, e sobre se os lançamentos integram estratégia para fortalecer a sigla ou resultarão em candidatura de fato ao governo, só ocorrerá no início de 2022.

Ranolfo Vieira Júnior (PSDB) – Após deixar o PTB, o vice-governador se filiou ao PSDB em setembro e sempre deixou claro seu objetivo de disputar o Piratini caso o governador Eduardo Leite (PSDB) seguisse descartando a reeleição. Ranolfo cumpre sucessivas agendas de anúncios de programas e obras governamentais, e tenta vincular sua imagem à de Leite, com vistas a se tornar mais conhecido e se transformar em um nome competitivo. Ele conta com o apoio de parte do PSDB e o próprio governador destaca sua sintonia com o vice. Do lado de fora, tem a preferência do Podemos para o caso de uma aliança. Mas a pré-candidatura sofre a concorrência das articulações de Leite com o MDB, e ainda está na dependência das definições deste último. 

Fonte: Correio do Povo


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