Blefaroplastia: existe idade ideal para a cirurgia?
Não existe uma idade única para fazer blefaroplastia. A cirurgia das pálpebras costuma ser mais frequente a partir dos 40 anos, quando flacidez, bolsas de gordura e excesso de pele se tornam mais aparentes, mas também pode ser indicada em pacientes mais jovens, inclusive adultos, quando há predisposição genética ou incômodo funcional. Mais do que a idade cronológica, a indicação depende da anatomia de cada paciente, do desconforto estético e do impacto sobre a visão e o bem-estar ocular.
O público feminino está entre o que mais procura o procedimento. A resposta deve estar no atual momento em que mais mulheres acima dos 40 anos permanecem ativas no mercado de trabalho. Em 2024, a taxa de participação das mulheres de 40 a 49 anos chegou a 65,5%, o maior patamar da série histórica, enquanto entre as mulheres com mais de 60 anos o índice passou de 13,9% em 2012 para 17% em 2024. No geral, a participação feminina na força de trabalho no Brasil foi de 52,8% em 2024, acima dos 51,9% registrados em 2012.
Blefaroplastia não tem idade única, mas segue alguns padrões
Nesse contexto, a forma como a expressão facial é percebida também ganha peso nas interações profissionais. “Não se trata apenas de parecer mais jovem, mas de alinhar a expressão facial com a forma como a pessoa se sente”, afirma a oftalmologista e cirurgiã plástica ocular Bruna Rymer.
Segundo a especialista, a decisão pelo procedimento deve sempre considerar fatores anatômicos, funcionais e as expectativas individuais de cada paciente. “O olhar tem um papel central na comunicação e no bem-estar. Quando a pálpebra interfere na expressão, no conforto ocular ou até na visão, é importante buscar avaliação especializada para entender quais são as possibilidades. O meu limite estético termina quando começa a segurança ocular”, conclui.
Embora o foco da procura muitas vezes esteja no rejuvenescimento, a blefaroplastia também pode ter efeito funcional. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica destaca que o excesso de pele e gordura na região das pálpebras pode comprometer o campo visual e causar irritação ocular. Em 2024, segundo a International Society of Aesthetic Plastic Surgery, o procedimento somou mais de 2,1 milhões de cirurgias no mundo, com alta de 13,4% em relação ao ano anterior.
A escolha do profissional, porém, segue como ponto decisivo. Isso porque a cirurgia não envolve apenas a retirada de pele, mas estruturas ligadas à proteção e à lubrificação dos olhos. Pacientes com olho seco, usuários de lentes de contato ou pessoas com alterações oculares precisam de avaliação individualizada antes da indicação. “É fundamental garantir que a pálpebra fique bem posicionada no pós-operatório, evitando problemas como dificuldade para fechar os olhos, lacrimejamento excessivo, retração palpebral ou edema persistente da conjuntiva”, explica Bruna.
Entre os problemas mais comuns decorrentes de procedimentos mal executados estão o olho seco persistente, dificuldade de fechar os olhos, cicatrizes aparentes e alterações na posição das pálpebras. “São complicações que impactam diretamente a qualidade de vida do paciente, por isso uma análise correta é bem importante para garantir o melhor resultado. Estética segura também é autocuidado”, alerta a especialista.
Pontos a considerar sobre a faixa etária:
- Entre os 30 e 40 anos: é a fase em que a blefaroplastia costuma ser mais procurada, porque começam a surgir com mais frequência o excesso de pele, as bolsas nas pálpebras e o aspecto de olhar cansado.
- Antes dos 30 anos: o procedimento pode ser indicado em situações específicas, sobretudo quando há herança genética que favorece o aparecimento precoce de bolsas ou sobra de pele na região.
- Quando há impacto na visão: nesses casos, a avaliação não depende da idade, mas do prejuízo funcional causado pelo excesso de pele sobre os olhos.
Fonte: CP