Eleições 2026: pré-candidatos lançam vaquinhas virtuais para arrecadar recursos de apoiadores
Desde a sexta-feira (15), os pré-candidatos que disputarão as eleições de 2026 já podem efetuar a arrecadação prévia de recursos para campanha na modalidade de financiamento coletivo. As doações para as chamadas “vaquinhas virtuais” podem ser feitas apenas por pessoas físicas, não são aceitas contribuições de pessoas jurídicas.
No Rio Grande do Sul, o maior arrecadador, até o final da tarde de segunda-feira (18), é o deputado federal Marcel Van Hattem (Novo).
O calendário eleitoral permite a divulgação de campanhas de financiamento coletivo na internet. Segundo normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contudo, está proibido o pedido explícito de voto, assim como qualquer ato que possa ser caracterizado como campanha eleitoral antecipada.
A Justiça Eleitoral determina ainda que as verbas não podem ser utilizados imediatamente. Para usufruí-las, os futuros candidatos precisam atender a uma série de requisitos, entre eles a apresentação de registro oficial perante a Justiça Eleitoral, a obtenção de CNPJ de campanha e a abertura de conta bancária específica. Caso a candidatura não seja formalizada, o montante arrecado deverá ser devolvido aos doadores.
Até o final da tarde desta segunda-feira (18), haviam sete empresas aptas a operar o financiamento coletivo nas eleições de 2026. São elas: Apoia.Se, App Cívico Consultoria, Conectei, Elegis Gestão Estratégica, GMT Tecnologia, Quero Apoiar e Um a Mais – Serviços de Tecnologia e Consultoria.
As plataformas também precisam atender uma série de requisitos. Entre eles, a identificação dos doadores, a emissão de recibos eletrônicos e a manutenção da transparência na prestação de contas.
Os maiores arrecadadores
Até as 18h desta segunda-feira (18), haviam ao menos três nomes gaúchos entre os dez maiores arrecadores do Brasil na Quero Apoiar, que, até o momento, é a única plataforma a disponibilizar esse tipo de informação.
Um dos destaques do ranking nacional é o deputado federal Marcel Van Hattem (Novo), pré-candidato a senador pelo Rio Grande do Sul. Ele está em 2° lugar, com mais de R$140 mil arrecadados. “Para mim, o financiamento privado é fundamental, afinal não utilizarei recursos públicos na campanha. Acredito nessa forma de apoio de pessoas que se doam. São pessoas que acreditam no projeto”, afirma o deputado.
Além de Van Hattem, há outros dois gaúchos na lista: o vereador de Erechim Rony Gabriel (Podemos), que é pré-candidato a deputado federal, em 5° lugar; e o professor e militante Humberto Matos (PCdoB), que deve buscar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado, na 8ª posição.
Confira o ranking nacional:
- Renan Santos (Missão-SP): R$195,2 mil
- Marcel Van Hattem (Novo-RS): R$141,3 mil
- Jones Manoel (PSol-PE): R$74,7 mil
- Gustavo Gayer (PL-GO): R$66,8 mil
- Rony Gabriel (Podemos-RS): R$46,4 mil
- Daniel Soranz (PSD-RJ): R$44,5 mil
- Kim Kataguiri (Missão-SP): R$40,3 mil
- Humberto Matos (PCdoB-RS): R$24 mil
- Ana Hering (Missão-SP): R$20 mil
- Victor Antoun (Missão-RJ): R$19,8 mil
Apenas no Rio Grande do Sul, seis dos dez maiores arrecadores na Quero Apoiar são do partido Novo, que defende o financiamento privado. Embora tenha sido fundada sob a premissa de não usar verbas públicas para campanha, a sigla, desde 2024, utiliza o Fundo Eleitoral, recurso público destinado exclusivamente ao financiamento de campanhas eleitorais.
“Tentamos devolver o fundo várias vezes, só que nunca deixavam a gente aprovar uma lei para devolver na Câmara dos Deputados. No TSE, decidiram que o dinheiro que o Novo devolvesse seria redistribuído entre os outros partidos. Então, os outros partidos utilizariam o nosso recurso. Isso não fazia o menor sentido”, afirma Van Hattem.
Ao todo, há 32 pré-candidatos gaúchos cadastrados na plataforma Quero Apoiar, sendo12 do Novo, oito do Missão, três do Partido Liberal (PL), dois do Partido dos Trabalhadores (PT), dois do PSol, dois do Podemos, um do PCdoB, um do Progressistas (PP) e um do Republicanos.
Confira o ranking dos maiores arrecadores no Estado:
- Marcel Van Hattem (Novo): R$ 141,3 mil
- Rony Gabriel (Podemos): R$ 46,4 mil
- Humberto Matos (PCdoB): R$ 24 mil
- Felipe Camozzato (Novo): R$ 13 mil
- Giuseppe Riesgo (Novo): R$ 3,5 mil
- Matheus Schilling (Novo): R$ 1,2 mil
- Tiago Bitencourt (Novo) R$ 1,2 mil
- Douglas Winter (Novo): R$ 830
- Laura Sito (PT): R$ 813
- Capitão Martim (Republicanos) R$ 537
*Sob a supervisão do jornalista Thiago Padilha
Fonte: CP