Empresários abrem ofensiva para mudar fim da escala 6×1, e Senado quer “imprimir marca própria no texto”
Apenas algumas horas depois da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados, entidades produtivas já iniciaram uma ofensiva para tentar barrar a proposta no Senado. Nessa terça-feira, representantes de entidades como Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) reuniram-se com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e pediram que o Senado adie a discussão da proposta para depois das eleições de outubro.
Segundo eles, o projeto tem sido usado como “bandeira eleitoral” pelo governo Lula e por parlamentares. “Da maneira que foi feita, ela (PEC) está fora da realidade brasileira, foi feita de forma irresponsável e só baseada em bandeira política. Não ouviu o setor nenhum […] Foi tratada pelo governo brasileiro como bandeira eleitoral, em véspera da eleição, assim como o imposto da chamada blusinhas”, disse o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, em entrevista coletiva a jornalistas, após o encontro.
Skaf criticou o relatório costurado entre governo e Câmara e defendeu que mudanças na escala de trabalho sejam definidas por negociação entre empresas e trabalhadores. Segundo ele, o Brasil possui cerca de duas mil atividades econômicas, cada uma com particularidades, o que exigiria soluções específicas e maior diálogo.
Skaf afirmou que o tema foi tratado na Câmara “de forma irresponsável”. Ele também reclamou da falta de estudos técnicos sobre os impactos da medida e disse esperar que o Senado conduza a discussão “com serenidade” e “sem pressa”.
Marca própria
De acordo com informações do portal R7, o Senado teria a intenção de “imprimir a sua própria marca” na tramitação do fim da escala 6×1. Conforme interlocutores do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, ainda não há uma sinalização de um calendário para votação. A intenção seria levar o texto adiante, mas não apenas para chancelar a aprovação da Câmara dos Deputados.
O entendimento dos senadores é de que os “louros” da aprovação da matéria não deveriam ficar apenas com os deputados. A ideia passa por inserir alguma modificação que possa ser atribuída aos membros da segunda Casa. A estratégia ainda não tem caminho livre porque dois terços das vagas no Senado estão em disputa e há membros que irão disputar governos estaduais pelo País.
Fonte: CP