Fontes da Federação Uruguaia negam rebelião de jogadores contra Bielsa, diz jornal
Uma reportagem feita pelos correspondentes do jornal uruguaio El País, que foram cobrir a seleção do país vizinho na Copa do Mundo 2026, contou os bastidores da delegação do Uruguai no Mundial e afirmaram que em nenhum momento houve uma rebelião dos jogadores contra o técnico argentino Marcelo Bielsa. Veículos pelo mundo repercutiram o suposto “clima tenso” enfrentado pelos uruguaios horas antes do importante jogo contra a Espanha.
A crise foi informada por um programa esportivo uruguaio, que afirmou que “lideranças como Valverde, Ugarte, Bentancur e o goleiro Rochet, do Inter, teriam reclamado da carga exaustiva de treinos e das longas sessões de vídeo, especialmente após o fim da desgastante temporada europeia”. Porém, os jornalistas do El País que estavam na Copa explicaram que uma reunião ocorreu, mas não foi “uma rebelião”.
Bielsa tem um planejamento de treinamentos em que divide o grupo em dois: “os reservas e os jogadores de apoio treinavam juntos, enquanto os titulares treinavam em horário diferente. Já os goleiros, treinavam em outro horário”.
Durante a Copa América de 2024, Bielsa já usava a estratégia. Naquela competição, os dois grupos não apenas treinavam separadamente, mas também se deslocavam para o local de treino em ônibus diferentes e em horários distintos. Isso não ocorreu em Mayakoba, na concentração do Uruguai no México, pois o campo de treinamento ficava no mesmo complexo onde a delegação estava hospedada.
A rotina teria sido alterada após a partida contra Cabo Verde e cinco dias antes do enfrentamento decisivo contra a Espanha. Na oportunidade, um grupo de atletas pediu ao argentino se todo o grupo poderia treinar junto e o treinador consentiu com a solicitação. “Bielsa atendeu ao pedido. Eles conversaram e ele concordou. Mas foi só isso. Não houve conflito”, afirmaram categoricamente fontes da seleção ao jornal Ovación, que é do grupo do El País.
“Era mentira. Nenhum jogador, nem um líder veterano nem qualquer outro, procurou Bielsa para questionar a estratégia tática contra a Espanha. Além disso, o Uruguai pressionou a saída de bola ou recuou as linhas? E vou além: dois dos principais líderes do elenco realmente não participaram dessa suposta reunião com o técnico? A discussão girava em torno de treinar como um grupo único e questões relacionadas às sessões de treino e à carga de trabalho”, revelou a fonte. A versão foi confirmada com dois integrantes da delegação, que preferiram não se identificar.
“Foi uma reunião focada no futebol, tratando de pontos específicos de melhoria. Todos agiram pensando no melhor para o Uruguai. Em nenhum momento a autoridade de Bielsa foi contestada — muito menos houve briga. Foi doloroso ver toda essa situação ganhar proporções enormes do nada. O momento em que tudo isso aconteceu foi infeliz. Há uma grande tristeza pela eliminação”, completou a fonte.
Há concordância da Federação Uruguaia de Futebol com a visão do técnico de que a seleção merecia mais na Copa do Mundo e de que erros individuais significativos comprometeram o bom trabalho realizado em diversos momentos das três partidas. Porém, todos reconhecem que a eliminação para Cabo Verde, sem vencer um único jogo no mundial, foi um fracasso “retumbante”.
Marcelo Bielsa concederá uma entrevista coletiva amanhã, às 18h, no Estádio Centenário. O evento será o de despedida do argentino do comando da Celeste.
Fonte: CP