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Frio e chuva prejudicam rebanhos no RS

As baixas temperaturas dos últimos dias, as geadas em algumas regiões e excesso de chuvas reduziram o desempenho dos rebanhos de corte no Rio Grande do Sul. Nas propriedades com menor disponibilidade de pastagens, a perda de condição corporal foi mais acentuada. A avaliação consta no último Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar.

“Essas condições meteorológicas também comprometeram o bem-estar dos animais, especialmente provocando estresse térmico devido à permanência em áreas úmidas. Para minimizar os impactos, os produtores intensificaram a suplementação alimentar e a atenção ao manejo sanitário, bem como ajustaram a lotação animal”, descreve a instituição.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, por exemplo, a perda de condição corporal dos animais está mais acentuada nas propriedades que utilizam exclusivamente campo nativo. O estresse térmico torna importante a disponibilidade de áreas de abrigo, como bosques e matas nativas. Em relação ao aspecto sanitário, o frio favoreceu a ocorrência de problemas respiratórios em terneiros desmamados e afetou o bem-estar dos animais, principalmente os de sangue zebuíno”, menciona.

Uma das dificuldades deste período é no abastecimento de vacinas contra clostridioses. Embora tenha aumentado a disponibilidade do produto, a Emater/RS-Ascar observa que os preços estão até três vezes superiores aos praticados normalmente. Outra consequência, porém positiva, é que a sequência de geadas intensas levou à diminuição significativa da população de carrapatos.

Na região de Erechim, o acúmulo de barro nas áreas de manejo comprometeu os corredores de acesso, cochos, bebedouros e instalações, dificultando as pesagens, as vacinações e as apartações, além de elevar o risco de acidentes. O coordenador da área de criações no regional de Erechim, médico-veterinário Frederico Modri Neto, observa que, em relação ao gado de corte, a umidade também traz preocupações com os nascimentos.

“Os animais menores acabam sofrendo mais e tendo maior risco. Pela baixa imunidade, aumenta a infestação de verminoses e também se recomenda as vacinas preventivas direcionadas para o sistema respiratório e digestivo. Nesta fase, ocorre muita diarreia, que pode ser pela entrada de bactérias no pós parto”, explica, lembrando também da atenção para o umbigo dos terneiros nos primeiros três dias, com uso de desinfetante ou iodo. “Isso porque se torna uma porta de entrada para bactérias que causam, principalmente, pneumonia, artrite e outras infecções.”

O fornecimento de colostro é outra indicação preventiva para esta época. “Funciona como uma ‘vacina natural’, quando a resistência é passada da mãe, via colostro, (ao bezerro).”

A orientação é que o produtor disponibilize para os nascimentos um local onde os animais possam se abrigar, como um capão de mato, especialmente, nas noites mais frias, segundo o médico-veterinário. Para o gado de leite, a recomendação é um ambiente de parição com uma cama mais protegida do vento, por exemplo.

As condições de barro aumentaram a recorrência de mastite, lesões de casco e pododermatite. Modri Neto indica atenção à higiene na ordenha e também na sala de espera para evitar a proliferação de bactérias. “É indicado o uso de desinfetante e mais um tampão, fechando o orifício para a bactéria não entrar.”

Na região de Santa Maria, a condição corporal das vacas de cria segue em recuperação, e o ganho de peso dos animais começa a aumentar, enquanto em Santa Rosa os animais diminuíram o consumo de volumoso durante o pastejo, nos dias mais críticos, o que levou à perda de escore corporal em algumas propriedades, principalmente nas raças zebuínas.
Mas nas raças europeias, o impacto foi menor. “Em função do início do inverno, os produtores iniciaram a oferta de terneiros desmamados e vacas de descarte para reduzir a lotação animal. Também começaram os tratamentos para controle de parasitas internos, pulmonares e gastrointestinais.”

  | Foto: Emater/RS-Ascar / CP

Recomendação da Emater/RS-Ascar principalmente para o gado leiteiro

  • Manutenção nutricional com suplementação, quando ocorre redução de pastagens.
  • Oferta de instalações protegidas contra o vento e a chuva, arejadas, sem correntes de ar.
  • Vacinação contra doenças respiratórias deve estar em dia, assim como o calendário sanitário.
  • Cuidados com a higiene da ordenha, garantir a secagem adequada dos tetos e o uso de soluções selantes pós-dipping para reduzir mastites.
  • Camas secas, cortinas plásticas nas laterais de estábulos e manejo adequado dos piquetes podem melhorar o bem-estar dos animais.
  • Oferta de colostro nas primeiras horas de vida dos bezerros para garantir a sobrevivência e o desenvolvimento.
  • Sobressemeadura de aveia, azevém e trigo para pastejo em áreas de campo nativo ou degradadas ajuda a forragem durante os meses frios.
  • Rotação de pastagens e controle da lotação ajudam a evitar o sobrepastejo e a degradação das áreas forrageiras.

Fonte: CP