Galípolo precisa de tempo, mas também de auxílio do governo
A quinta-feira, dia seguinte ao anúncio de aumento na taxa de juros de 13,25% para 14,25%, foi marcada por uma enxurrada de críticas e repercussões. No PT, algumas vozes estão fazendo cobranças, mas, pelo menos por ora, são minoria.
A orientação, que não precisou ser passada formalmente diante das manifestações do próprio presidente Lula e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é a da necessidade de dar tempo para que Gabriel Galípolo consiga organizar a “herança” deixada por Campos Neto, alvo recorrente do PT, no Banco Central.
“O novo presidente, com os novos diretores, têm uma herança a administrar. Você não pode, na presidência do Banco Central, dar um cavalo de pau”, foi uma das manifestações de Haddad, em defesa de Galípolo, durante entrevista ao programa Bom dia Ministro, da EBC.
O anúncio do Comitê de Política Monetária (Copom), de quarta-feira, foi o segundo desde que Galípolo assumiu o comando do Banco Central com a bênção de Lula e do PT, que agora estão em situação delicada para mirar a artilharia no escolhido. E a sinalização para a próxima reunião, em maio, é de um novo aumento, mas em patamar inferior.
Por óbvio, Galípolo precisa de tempo para tentar alterar a política de juros do país. Mas ele precisa também que o governo federal faça a sua parte. E considerando os planos de Lula, que tem entre seus objetivos intensificar o consumo, será complexo o desafio de Galípolo, para frear a inflação e atender as expectativas petistas.
Fonte: CP