fbpx
GeralMundo

Governo brasileiro condena ataques ao Irã e manifesta grave preocupação

O governo Lula (PT) condenou, por meio de nota, os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã nesse sábado (28), manifestando “grave preocupação” com o episódio. Os países travavam processo de negociação pela paz antes dos bombardeios.

“O governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”, diz o Itamaraty.

De acordo com o governo brasileiro, as embaixadas do país na região acompanham os desdobramentos das ações militares, com particular atenção às necessidades dos brasileiros presentes nos países afetados.

“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, diz ainda a nota.

O embaixador do Brasil em Teerã está em contato direto com a comunidade brasileira para transmitir atualizações sobre a situação e orientações de segurança. O governo brasileiro recomendou evitar viagens a 11 países do Oriente Médio. Além do Irã, os territórios de Israel, Qatar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Iraque, Líbano, Palestina, Síria também estão na lista de restrições divulgada pelo Itamaraty.

Para quem teve voo cancelado, o órgão indica procurar a companhia aérea responsável para remarcação dos bilhetes e verificar a validade de seus documentos de viagem (ao menos seis meses). Ainda na América Latina, a Argentina elevou o nível de segurança para alto em todo o território nacional e em embaixadas.

Os governos da Alemanha e do Reino Unido também emitiram alertas para que seus cidadãos evitem viagens a países do Oriente Médio. Os Estados Unidos, além do governo alemão, também publicaram uma ordem adicional para que cidadãos deixem o Líbano. Os EUA recomendaram que os americanos no país saiam do território “enquanto ainda há opções comerciais”.

O órgão brasileiro fez recomendações específicas para quem for vítima de bombardeio na rua ou dentro de casa. A indicação é dirigir-se imediatamente ao abrigo mais próximo, como estações de metrô, viadutos ou estacionamentos subterrâneos.

O comunicado indica ainda encher banheiras ou recipientes grandes com água fria, para guardar de reserva em caso de eventual escassez. O Itamaraty reforça a necessidade de acompanhar as atualizações das embaixadas pelos seus portais oficiais e monitorar as mídias locais.

Nesse sábado, Lula cumpriu agenda em Minas Gerais em decorrência das fortes chuvas que atingiram cidades do estado nos últimos dias e deixaram mais de 60 mortos e milhares de desabrigados.

Por conta disso, Lula sobrevoou durante a tarde a região da Zona da Mata, pelos municípios de Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa (MG), três dos mais afetados, e não abordou o conflito internacional durante sua passagem por lá.

Na avaliação de auxiliares do Planalto, abordar o tema neste momento tiraria o foco da tragédia nacional.

Em episódio recente, com o ataque dos Estados Unidos a Venezuela em janeiro deste ano, foi realizada uma reunião de emergência com os ministros do governo no Palácio do Itamaraty, em Brasília. Na ocasião, Lula também não estava na capital e participou de forma remota — o que não deve acontecer desta vez por conta dos compromissos em Minas.

Membros do governo brasileiro avaliam que o ataque americano contra o Irã acaba com qualquer resquício de legitimidade do Conselho de Paz criado pelo presidente Donald Trump. O conselho foi lançado por Trump com os objetivos declarados de promover a paz na Faixa de Gaza e resolver outros conflitos do mundo.

O Brasil foi convidado para integrar o conselho, mas, a exemplo de países como a França e Alemanha, resiste. A percepção é de que o órgão será instrumentalizado por Trump para enfraquecer ainda mais a ONU (Organização das Nações Unidas) e o sistema multilateral. (Com informações da Folha de S.Paulo)