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Grupo criminoso que movimentou R$ 14 milhões é alvo de operação em Porto Alegre

A alta cúpula de uma organização criminosa foi alvo do Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) nesta quarta-feira. Conforme a instituição, eles movimentaram RS 14 milhões oriundos do tráfico de drogas em menos de um ano.

O esquema era comandado pela esposa de um dos líderes da facção. Criado após a aliança entre traficantes das zonas Leste e Sul de Porto Alegre, o grupo se autodenomina ‘Família do Sul’.

Denominada ‘Infinity’, a nova fase da Operação Senhores do Crime contou com 190 policiais civis. Foram cumpridos 25 mandados de busca, 13 ordens de prisão preventiva. Foi feito ainda o sequestro de cinco imóveis, no montante de R$ 1,5 milhões, além do bloqueio de 42 contas bancárias.

As diligências foram em Porto Alegre, Santa Maria, Viamão e Gravataí. Detentos da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) também foram alvo.

A ação ocorreu após 11 meses de investigação da Delegacia de Repressão a Lavagem de Dinheiro do Denarc. No curso da investigação foram implementadas 126 afastamentos de sigilo bancários, financeiros e fiscais, bem como quebras telemáticas.

De acordo com o delegado Adriano Nonnenmacher, a lavagem de dinheiro ocorria através de contas de passagem. Em outras palavras, a facção depositava valores oriundos do tráfico na conta de laranjas.

“Os lucros da organização criminosa eram fracionados e depois pulverizados na conta de terceiros. Eles também ocultavam dinheiro através do aluguel de veículos. A intenção era utilizar o sistema financeiro para dissimulações, a fim de burlar a fiscalização dos órgãos de controle”, disse Nonnenmacher, que coordenou a operação.

O delegado explicou que um dos imóveis sequestrados fica no bairro Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Isso porque a investigação também revelou laços da facção gaúcha com o grupo carioca Comando Vermelho.

“A ligação da organização criminosa gaúcha com outra, de amplitude nacional, sediada no Rio de Janeiro, é investigada”, destacou Adriano Nonnenmacher.

A principal investigada é uma mulher apelidada de ‘Madrinha’, que está presa preventivamente. Ela é mulher do traficante conhecido como Nego André, que cumpre pena na Pasc e teve outra prisão decretada. Na mesma unidade prisional, ainda foram decretadas as prisões do criminoso que responde por ‘Nego Jackson’ e outro, chamado de ‘Milico ou de Marlon da V7’.

Um servidor público da prefeitura de Alvorada é apontado como um dos operadores do esquema, recebendo valores da facção na conta bancária. A prisão dele ocorreu em um condomínio no bairro Morro Santana, na zona Norte de Porto Alegre. Ele já havia sido preso, em 2022, por tráfico de drogas.

Outros dois suspeitos foram capturados na Vila Cruzeiro, na zona Sul da Capital. Um deles é apontado como responsável por recrutar laranjas para o esquema. O outro, conhecido como ‘Nego Alex’, estava foragido há sete anos e atuaria como assassino da facção.

“Os presos na zona Sul são lideranças da facção na Vila Cruzeiro. Um deles comandava a rede de operadores, recrutando pessoas que estivessem dispostas a ocultar valores da facção. Ele era o segundo alvo mais procurado na ofensiva”, afirmou o diretor de Investigações do Denarc, delegado Alencar Carraro

Outra investigada é a esposa de um homem condenado a 33 anos de prisão, na última quinta-feira, pela morte do policial militar Gustavo de Azevedo Barbosa Júnior, ocorrida em 2019, na zona Sul de Porto Alegre. Ela prestou depoimento, mas não foi presa.

O diretor-geral do Denarc, delegado Carlos Wendt, destacou que a ofensiva prendeu líderes, gerentes e laranjas do crime organizado.

“Atingimos o alto escalão da organização criminosa. Na Vila Cruzeiro do Sul, por exemplo, toda a cúpula da facção foi desarticulada. Prendemos os responsáveis por vários crimes no estado e comprovamos que eles são vinculados a uma outra organização, de amplitude nacional”, enfatizou Carlos Wendt

Fonte: CP