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Irã volta a fechar Estreito de Ormuz e alega “quebra de confiança” por parte dos EUA

O Irã afirmou neste sábado que voltou a fechar a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz. Segundo a rede CNN, Teerã alegou “repetidas quebras de confiança” por parte dos Estados Unidos no cessar-fogo para retomar a restrição.

Um porta-voz militar iraniano disse que Teerã permitiu a passagem de um “número limitado de petroleiros e navios comerciais” pelo Estreito. “Mas, infelizmente, os americanos, com suas repetidas quebras de confiança que fazem parte de seu histórico, continuam a se envolver em pirataria e roubo marítimo sob o chamado título de bloqueio“, disse o porta-voz, de acordo com a agência de notícias semioficial Fars.

O controle do Estreito está novamente “sob a gestão e controle rigorosos das forças armadas”, até que os EUA encerrem o bloqueio a navios que saem e se destinam aos portos iranianos, disse ele.

Notas conflitantes sobre acordo

Na sexta-feira, o Irã permitiu a retomada do trânsito pela passagem marítima após a confirmação da trégua entre Líbano e Israel. Em uma conversa telefônica com a AFP, o presidente Donald Trump assegurou que não havia “pontos conflitivos” para concluir um acordo de paz.

Ademais, disse que o Irã havia concordado em entregar seu urânio enriquecido, uma questão-chave das negociações.

“Vamos conseguir isso [recuperar o urânio enriquecido] entrando no Irã, com muitas escavadeiras”, disse Trump durante um discurso para apoiadores do movimento conservador Turning Point USA em Phoenix, Arizona.

Irã adverte sobre continuidade do bloqueio

O Irã, no entanto, disse que o seu urânio enriquecido não será levado a lugar nenhum. Também advertiu que, se os navios de guerra americanos interceptarem embarcações procedentes de portos iranianos, poderia fechar novamente o Estreito de Ormuz, por onde transita um quinto da produção global de petróleo e gás natural liquefeito (GNL).

“Se o bloqueio continuar, o Estreito de Ormuz não vai permanecer aberto”, escreveu o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, na rede social X. Além disso, assinalou que o trânsito por essa via marítima dependeria de autorização da República Islâmica.

“O que eles chamam de bloqueio naval terá definitivamente a resposta apropriada do Irã. Um bloqueio naval é uma violação do cessar-fogo”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei.

As notas conflitantes ocorreram em um dia classificado por Trump de “GRANDE E BRILHANTE”, com uma série de publicações nas redes sociais nas quais ele elogiou o Paquistão, mediador das negociações, e os aliados do Golfo.

Em sua entrevista telefônica com a AFP, Trump falou sobre o acordo, que “parece que vai ser algo muito bom para todos”. E, ao ser perguntado sobre quais questões espinhosas ainda estavam pendentes, respondeu: “Não há pontos conflitivos, absolutamente nenhum”.

A guerra no Oriente Médio começou em 28 de fevereiro com os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, que respondeu com lançamentos de mísseis e drones no Golfo e o fechamento desse estreito estratégico para o transporte de hidrocarbonetos.

Fonte: CP