Nas baias de Esteio, novas raças vão brilhar na Expointer 2025
Entre os 5.107 animais de argola inscritos para a 48ª Expointer, que se iniciou neste sábado e segue até o próximo domingo, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, há raças que vão estrear na feira e que podem ganhar atenção das centenas de visitantes esperados em nove dias de evento. Uma delas é a Greyman, mista de bovinos Murray e zebuínos Brahman, que vem da Cabanha da Guarita, de Palmeira das Missões. Estará em exposição a terneira Guarita TEG 003. “É a primeira vez dessa raça na feira. É uma raça sintética, muito dócil, e produz uma carne diferenciada (de alta qualidade, com muito marmoreio e baixa gordura subcutânea) nos mais diversos sistemas de produção”, afirma o criador, Luiz Carlos Ardenghy Sobrinho”, também presidente da Associação Brasileira de Murray Grey e Greyman (ABMGG).
Segundo ele, a raça, de origem australiana, existe no mundo inteiro e em praticamente todos os estados do Brasil. “Já produzimos Greyman há bastante tempo em Rondônia, hoje estamos produzindo também no Mato Grosso do Sul, em Santa Catarina e em outros estados. E essa raça é muito interessante, porque vem dando certo em todos os lugares em que está sendo implantada”, comenta Ardenghy. O pecuarista conta que a Cabanha Guarita está com sua família há mais de 25 anos. “É uma fazenda média, em torno de 400 hectares. Eu participo da Expointer com a raça Murray Gray há cinco anos, e com o cavalo Crioulo também”, pontua.
A raça caprina espanhola Murciana também vem ao parque pela primeira vez. Biblioteca, filhote de três meses, promete encantar as crianças, mesmo sem ter idade ainda para participar das provas. O criador Eduardo Fagundes, da Fazenda Mãe Oxum, de Viamão, afirma que é o primeiro exemplar da raça no Rio Grande do Sul. Biblioteca, carinhosamente apelidada de Bibi, é fruto de inseminação artificial, de um sêmen importado da Espanha.
“Foi criada com mamadeira, não conheceu a mãe. É extremamente dócil. Ela veio de Minas Gerais e pesa agora dez quilos. Quando adulta poderá chegar a 40 quilos, ultrapassando esse peso em período de lactação”, explica.
Conforme o criador, a cabra Murciana possui um leite equilibrado (4,5% de gordura e 3,8% de proteína), sendo mais voltado para a confecção de queijos. “Um animal adulto produz em média de quatro litros de leite por dia”, completa.
Além dos estreantes, tem raças que voltam à Expointer depois de períodos de afastamento. É o caso do cavalo Árabe que participa com 74 animais inscritos da raça e mais quatro da raça Anglo Árabe, que não vinha a Esteio desde 1989. A criadora Ana Cláudia Silveira Netto Dondé, do Haras El Aduar, de Osório, começou a criação neste ano, a primeira de Anglo Árabe do Rio Grande do Sul. “Sempre fui apaixonada por essa raça. É uma raça tão completa como a Árabe, mas também pode ser usada no hipismo clássico pela sua altura”, destaca. Vão ser quatro animais, sendo um garanhão, Araçaí Rach, campeão nacional da raça Anglo Árabe e campeão de enduro, inscrito em parceria com o Rach Stud, e três fêmeas. “Meus animais estão sendo treinados para rédeas, que é uma nova modalidade que espero abrir para o Anglo Árabe e o Puro Sangue Árabe”, conta Ana.
A Expointer 2025 marcará, ainda, o retorno da raça caprina Toggenburg, após 18 anos de ausência da feira agropecuária. O último registro dos animais no evento é da edição realizada em 2007. A reintrodução é uma iniciativa da propriedade Capri JJK, localizada no município de Glorinha. De acordo com a criadora, Roseni Martins Braz, a genética leiteira e o potencial de mercado para produtos derivados são as principais motivações para o investimento.
“Já vínhamos há anos estudando, investigando, para trazer animais de procedência, trabalhar com genética, porque é algo bem específico”, detalha.
Rusticidade, beleza e produção leiteira mínima de três e máxima de sete litros por dia são algumas das credenciais da raça, originária da Suíça, que atraíram a atenção de Roseni mesmo com a ausência de quase 20 anos em território gaúcho. “Já trabalhamos com a raça Saanen e queremos muito investir nas genéticas leiteiras”, afirmou. Segundo a criadora, responsável por trazer a raça Toggenburg para o cenário da caprinocultura no Estado, o investimento em algumas matrizes da espécie começou a ser realizado este ano. “É um passo de cada vez, agora já temos crias, vamos participar da Expointer e depois pretendemos iniciar os cruzamentos puros ”, conta.
Para o início de um plantel de alta qualidade, Roseni adquiriu três matrizes, inseminadas, e um macho da raça. Os exemplares foram comprado em criatórios localizados em Alagoas e Minas Gerais, estados onde a raça tem forte presença. Conforme a criadora, por enquanto, o leite e os demais produtos elaborados, como queijos e doce de leite, são restritos ao consumo doméstico da propriedade e vizinhos. “Estamos analisando projetos para comercializar o leite, pois tem que estar tudo certinho para vendermos. A ideia é começar a comercialização no próximo ano”, antecipa.
Apesar da tradição em outras regiões do Brasil, a oferta de leite de cabra e seus derivados no Rio Grande do Sul é considerada carente. Roseni acrescenta que a intenção é ser referência no fornecimento de matrizes e reprodutores. “A feira é uma vitrine para o nosso trabalho”, completa a criadora.
Fonte: CP