Psicóloga especializada em luto orienta como lidar com a perda de um pet
Os animais de estimação são cada vez mais parte das famílias. Uma série de mudanças sociais e comportamentais, como a redução da quantidade de filhos por casal e o crescimento de casais que optam por não gerar crianças, alteram também a forma como nos relacionamos com os bichinhos.
E, se cães, gatos e outros animais, tornam-se parte de nossas vidas, quando eles morrem, a gente sofre. Esse sofrimento pela perda de um pet ainda é minimizado e pouco compreendido por muitas pessoas, mas ele é real para quem sente.
A psicóloga Socorro Lima, atua desde 2014 com o luto pela perda de animais de estimação. Ela se deu conta da necessidade deste acolhimento profissional especializado ao fazer um trabalho voluntário em um hospital veterinário de Brasília, voltado às equipes.
“Nas equipes técnicas, todos são preparados para salvar vidas. E a perda é como se você identificasse uma incapacidade do profissional. Eu estava fazendo esse trabalho quando nos deparamos com um tutor que entrou em desespero porque o cachorrinho tinha falecido e eu fui acolher. Eu vi como é importante a gente conversar sobre essa impermanência, porque a vida é uma impermanência”, conta.
Socorro explica que o processo do luto pela perda de um animal de estimação é muito semelhante ao luto que vivenciamos pela morte de um familiar ou pessoa próxima.
“A minha formação é em luto humano e, se a gente for comparar, é muito igual. Esse luto é tão sentido quanto a perda de um ser humano, pelo vínculo que foi criado ao longo do tempo.”
A psicóloga atende o grupo Ninar, que promove encontros virtuais para escuta e acolhimento de tutores enlutados.
“Nessas etapas, a gente consegue ver muito da culpa, da raiva. Depois, uma apatia, uma tristeza, uma vontade de não querer reagir. Depois a gente consegue sair dessa vala e ir voltando a uma pseudonormalidade, onde entende que tem que continuar e daí para a frente a pode trabalhar o ressignificar.”
Fonte: CP