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“Seremos potência dos biocombustíveis de oleaginosas e gramíneas”, diz dirigente

Na recente participação brasileira na Hannover Messe, na Alemanha, entre as pautas mais comentadas esteve a produção e, sobretudo, a exportação à União Europeia dos biocombustíveis biodiesel e etanol gerados pela agricultura brasileira. A delegação verde-amarela contestou alegações de segmentos europeus de que a geração de combustíveis renováveis pelo setor pode promover desmatamentos ou ainda ocupar espaços preciosos para a produção de alimentos.

“A resistência é uma barreira comercial, sempre com aquele viés do desmatamento, para ter a diferença em relação à concorrência brasileira, porque temos sanidade, oferta, constância de oferta e teremos preço”, defende o presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho Lopes.

Por que os europeus têm manifestado resistência aos biocombustíveis brasileiros?

Todo concorrente comercial tem medo do Brasil. Porque somos a potência agrícola, a potência ambiental, a potência energética na geração de energia limpa e elétrica, e seremos agora a potência dos biocombustíveis, tanto no biodiesel quanto no etanol, de origem de oleaginosas ou de gramíneas. Então, qual é a resistência? A resistência é uma barreira comercial sempre com aquele viés do desmatamento para ter a diferença em relação à concorrência brasileira, porque temos sanidade, oferta, constância de oferta e teremos preço. Pecamos um pouco forte em logística, mas, onde entrarmos, vamos entrar. Tanto é que não há dúvida: a ONU aponta que teremos, em 2040, 600 milhões de toneladas (de grãos), e hoje produzimos 350, 360 (milhões), e essa diferença será tanto para alimentar a população mundial – e por volta de 20% a 25% da população mundial sendo abastecida por nós -, e, mais do que isso, a demanda do blend do biocombustível que será misturado ao combustível fóssil, tanto para o bunker oil da navegação quanto ao SAF (Sustainable Aviation Fuel) da aéreo, quanto do biocombustível terrestre será em grande parte fornecido pelo Brasil. E, desta forma, os nossos concorrentes ficam preocupados porque onde o Brasil entra, sob o ponto de vista agrícola, com uma maior competitividade. Então, a barreira é muito mais comercial do que qualquer outro aspecto no sentido de deixar uma dificuldade, botar uma pulga atrás da orelha do produto brasileiro, que eles sabem que o Brasil vai ter a preponderância nos mercados.

E como é que o Brasil pode enfrentar essa situação, demonstrar para a União Europeia que a produção daqui não é associada a desmatamento, sobretudo na Amazônia?

Através da tecnologia e da ciência, e, principalmente, da participação dos fóruns internacionais competentes. O que tem acontecido na Convenção das Partes, as COPs? Nós temos mostrado, tanto é que nos tornamos o exemplo de agricultura de baixo carbono. Apresentamos no grupo do G20 que estamos em primeiro lugar na geração de energia limpa, e agora vamos mostrar também que os nossos biocombustíveis são feitos em áreas consolidadas de pecuária ou em alta produtividade de agricultura, e não em áreas de desmatamento. Mostrar a realidade do que é a produção brasileira. E isso só se faz apresentando números, participando dos fóruns internacionais, tendo boa representatividade do Ministério de Relações Exteriores. E fazendo o que fizemos para a agricultura, a geração de alimentos nas COPs, e, hoje, somos o exemplo mundial a ser seguido, teremos que fazer também no biocombustível, participando de todos os fóruns competentes internacionais para posicionar como é feita a produção brasileira.

E até neste sentido, voltando à Alemanha, o que o senhor achou das manifestações do Presidente Lula em defesa desse segmento brasileiro? Foram adequadas? Tem relevância o que ele falou?

Nós ocuparemos a produção de biocombustíveis e ela não interferirá, será complementar à geração de alimentos. Tanto é que aumentaremos a produção de proteína animal, de cereais, de oleaginosas para alimentação, ou seja, teremos um crescimento da produção agrícola, com geração de biocombustíveis, assim como terá um crescimento de alimentação, sem concorrer uma com a outra, e sim de forma complementar e atendendo os mercados internacionais. Então, de certa forma, o Lula está falando o que a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) comentou nas últimas COPs, de que nós somos a potência agrícola e energética mundial que abastecerá o mundo nas próximas décadas.

E, nesse contexto todo, como é que fica aqui o Rio Grande do Sul, com as suas potencialidades para expandir a produção de biocombustíveis?

Nós temos que cada vez mais fortalecer o processo produtivo do ano, ou seja, culturas de inverno, culturas de verão, duas safras para geração de cereais e oleaginosas complementares para geração de etanol, no caso de cereais, e de biodiesel, no caso de oleaginosas. Tanto é que se vê o crescimento do milho, o crescimento do trigo, o crescimento da canola, todas para ter um incremento. Então, o Rio Grande do Sul vai acompanhar o crescimento produtivo nacional na geração de alimentos e, principalmente, nesse novo mercado que aparece, que é o mercado de biocombustíveis.

Fonte: CP