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Substituição do milho pelo trigo mantém a qualidade da ração animal, avalia Acsurs

O caro preço do milho no mercado interno tem feito produtores gaúchos buscarem alternativas para driblar o alto custo na produção de proteína animal. O trigo já tem sido utilizado como um substitutivo parcial ao principal cereal na composição da alimentação de bovinos, suínos e aves no Rio Grande do Sul.A avaliação da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs) é de que a saída não compromete a qualidade da ração utilizada na criação de porcos. “Vejo como movimento natural e até já atrasado. Os cereais de inverno poderiam ser usados há muito mais tempo. Substituem muito bem o milho. A utilização não afeta nada a qualidade final da ração”, afirma o presidente da Acsurs, Valdecir Folador.Segundo ele, a não utilização das culturas de inverno na ração animal é algo cultural. Fora que, geralmente, quando as safras de verão não são afetadas pela estiagem e o milho tem boas colheitas, as sacas deste são mais baratas que as dos demais cereais.Porém, para Folador, quando o mercado obriga os criadores a buscarem alternativas, alguns conceitos de produção podem ser desconstruídos. “Acredito que depois que você introduz outros produtos, outras variedades de grãos, e vão muito bem, a tendência é que permaneça. Eu particularmente já utilizo o trigo há muito tempo e continuarei utilizando. Mas, se o milho for mais em conta, sem dúvida alguma produtor vai dar preferência ao produto mais barato. É uma questão mercadológica”, analisa ele.Os benefícios da utilização de cereais de inverno – não apenas o trigo pode substituir o milho, mas também a cevada – não ficam restritos à diminuição de custos da cadeia produtiva. “Essa substituição ainda estimula, aumenta a produção dos cereais de inverno. Hoje, elas ficam com produção abaixo do que poderia ser utilizada. A cultura de inverno é mais uma oportunidade de os produtores fazerem mais uma safra”, disse Folador.

A cooperativa Dália Alimentos já começou a receber caminhões com carregamento de trigo em suas três unidades fabris em Encantado e Arroio do Meio. O vegetal passou a ser adquirido pela cooperativa no mês de agosto devido à alta nos custos do preço do milho, e está sendo utilizado em uma substituição parcial ao cereal na elaboração de rações para abastecer as três cadeias produtivas em que atuam: suínos, bovinos leiteiros e frango de corte.Conforme o supervisor do Setor Grãos e Rações, Walter Rahmeier, as primeiras cargas foram adquiridas de armazéns, tendo em vista que a colheita da cultura do trigo inicia-se em outubro. “Não é praxe da Dália comprar trigo, mas devido ao alto custo do milho, optamos por este cereal que consegue atingir desempenhos similares na elaboração das rações fabricadas nas três unidades da cooperativa. O uso do trigo está sendo desenvolvido pelo Setor de Nutrição da Dália Alimentos, que não abre mão da qualidade do produto final, visando também a redução dos custos”, afirmou ele.A Dália informa que os produtores que plantaram o grão e tiverem interesse em vender o cereal, podem entrar com contato com a Divisão Produção Agropecuária da cooperativa. Será adquirido trigo de produtores associados à cooperativa e também produtores não sócios. “Pensamos na viabilidade econômica e o trigo é um ótimo grão para ser empregado na elaboração das cerca de 26 mil toneladas de rações produzidas mensalmente pelas nossas fábricas em Encantado e Arroio do Meio”, disse RahmeierPara que o trabalho siga de acordo com os padrões da cooperativa, a Divisão Controle de Qualidade organizou, junto a Emater/RS-Ascar, uma capacitação com foco na classificação vegetal, incluindo as culturas milho e trigo. As aulas foram ministradas em duas etapas, nos dias 18 e 25 de agosto, e reuniram os funcionários responsáveis pelo recebimento destes dois tipos de grãos.

Quem ministrou as aulas teóricas e práticas foi o extensionista da Emater/RS-Ascar formado em Tecnologia de Produção de Grãos, Filipi Fagundes dos Santos, que trabalha diretamente no Porto de Rio Grande, cuja equipe é responsável pela classificação de 82% de todo o grão que chega ao Rio Grande do Sul.O trigo é uma das matérias-primas que a Dália Alimentos começou a receber recentemente e o milho a matéria-prima de maior inclusão nas rações elaboradas pelas fábricas da cooperativa. “Sempre é importante aprimorar o conhecimento e receber a melhor matéria-prima possível, pois dela dependerá a qualidade da ração produzida e levada ao campo”, comenta a supervisora do Laboratório Matriz, Graziela Botega.O trigo é o segundo cereal mais cultivado em todo o mundo. Na sua forma mais bruta, em grão, o consumo do trigo dispõe de quantidades significativas de carboidrato, tornando-se uma boa fonte de energia, rico em potássio, fósforo, magnésio e vitaminas do complexo B.

Fonte: Jornal do Comércio

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