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Voos para La Palma retornam após suspensão devido às cinzas do vulcão

O aeroporto da ilha espanhola de La Palma recebeu seu primeiro voo nesta quarta-feira (29) após ter sido paralisado no sábado pelas cinzas de um vulcão cuja lava atingiu o mar sem produzir os efeitos mais temidos no momento.

“Retomamos os voos para La Palma! Confirmamos a aterrissagem do voo NT621 (Tenerife Norte-La Palma) às 13h30 (horário local)”, anunciou a companhia aérea Binter nas redes sociais. A operadora dos aeroportos espanhóis, AENA, confirmou para a AFP que este foi o primeiro voo desde que o aeroporto suspendeu suas operações no fim de semana.

Ainda nesta quarta-feira, espera-se a chegada de mais voos, todos procedentes de outras ilhas do arquipélago atlântico das Canárias, informa o site da AENA.

Isso possibilitará acelerar a chegada de material a esta ilha de 85.000 habitantes. Deste total, mais de 6.000 tiveram de abandonar suas casas por causa da erupção do Cumbre Vieja, que hoje entrou em seu 11º dia. “Retomamos nossa colaboração, em nossos voos regulares, para o envio de material para as pessoas afetadas pela erupção do vulcão”, afirmou Binter.

A direção do vento, que carrega as cinzas, determinará em grande parte o estado do aeroporto, disse Arnau Folch, um vulcanologista do Conselho Superior de Pesquisa Científica (CSIC). “Você tem que ver como está a pluma a cada dia, dependendo dos ventos predominantes”, disse Folch à AFP.

Os gases potencialmente tóxicos produzidos pela lava do vulcão caindo no mar representam um risco baixo para a população no momento, disseram as autoridades. “A erupção não afetou a qualidade do ar, que é perfeitamente respirável”, tuitou o Cabildo de La Palma, o governo da ilha.

Ainda assim, os especialistas aconselharam cautela. “Isso está apenas começando, temos que ser cautelosos”, disse Folch. “Grande quantidade de água do mar está evaporando. A água do mar contém 35 gramas de cloreto de sódio, o que significa que estamos mandando grandes quantidades de cloro para a atmosfera que se combina e forma ácido clorídrico”, que é corrosivo e ácido.

O fluxo de lava, que alcançou o oceano na madrugada desta quarta-feira na costa oeste da ilha do arquipélago atlântico, continua a cair continuamente na água, gerando “um delta de lava que, aos poucos, vai ganhando terreno no mar”, descreve o Instituto Espanhol de Oceanografia.

O momento do impacto era temido há dias, devido à possibilidade de explosões, ondas de água fervente e gases tóxicos. Como medida preventiva, os moradores das áreas mais próximas do município de Tazacorte estavam confinados desde segunda-feira, e as autoridades proibiram os navios de se aproximarem a menos de 2 milhas náuticas de onde a lava cai.

Fase de equilíbrio

“A inalação, ou o contato com gases ácidos e líquidos, pode irritar a pele, os olhos e o aparelho respiratório e causar dificuldades respiratórias”, alertou o Involcan. Cientistas diziam que era muito difícil prever quando a lava chegaria ao mar, já que sua velocidade havia variado nos dias anteriores.

Na manhã de segunda-feira aconteceu uma redução notável da atividade do vulcão Cumbre Vieja. À tarde, porém, a erupção voltou com intensidade renovada, o que fez o fluxo ganhar velocidade e terminar alcançando a água na terça.

O vulcão “entrou numa fase de equilíbrio, o que significa que, no decorrer destes dias, provavelmente continuaremos a observar este tipo de atividade”, de grande produção de lava, antecipou David Calvo.

Por causa da erupção, mais de 6.000 pessoas tiveram de deixar suas casas, mas não há registro de vítimas. A lava já devastou 656 construções – nem todas residências – e cobriu 268 hectares desta ilha, segundo o sistema de medição geoespacial europeu Copernicus.

“Em toda essa extensão, não sobrou nada além de lava. A paisagem será outra, a devastação é tremenda (…) A ilha de La Palma naquela área é outra ilha”, lamentou o presidente regional das Ilhas Canárias, Ángel Víctor Torres, que detalhou que os fluxos chegaram a ter uma largura de “600 metros”.

Os especialistas avaliam que a atividade vulcânica pode durar várias semanas, ou mesmo alguns meses. As duas erupções anteriores em La Palma ocorreram em 1949 e 1971. Três pessoas morreram, duas delas, por inalação de gases.

Fonte: Correio do Povo

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