fbpx

Javalis são praga mundial e única alternativa é matá-los?

De acordo com a União Internacional de Conservação da Natureza (UICN), os javalis são uma das cem piores espécies exóticas invasoras do mundo. O Ibama(Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) considera que a agressividade desses animais e a facilidade de adaptação são características que, associadas à reprodução descontrolada e à ausência de predadores naturais, resultam em “uma série de impactos ambientais e socioeconômicos, principalmente para pequenos agricultores”. 

Em 2020, o Ibama publicou um Manual de boas práticas para o controle de javali que apresenta as principais características da espécie e como lidar com ela. No manual são citados alguns dos impactos mais comuns causados pelos javalis, como danos às plantas nativas, impactos à fauna nativa, destruição de habitats e ninhos, assoreamento de rios, redução da qualidade da água de nascentes, alteração do solo e aumento de erosão e impactos à saúde pública, transmitindo doenças para a população, por meio do consumo da carne e da manipulação da carcaça dos animais mortos. 

O manual não explicita isso, mas fica claro na leitura do texto de que matar os animais é a única forma de controlá-los. Isso não significa que está autorizada a caça indiscriminada ao javali ou que baste pegar uma arma e sair atirando, como se pode pensar assistindo a um vídeo distribuido indiscriminadamente por aplicativos de mensagens, com informações incompletas.

Os problemas causados por javalis, realmente, vêm aumentando no Brasil e para lidar com essa situação, foram elaboradas normas específicas, permitindo e regulamentando as atividades de controle desse animal. Existem normas federais, estaduais e municipais com esse objetivo, que precisam ser respeitadas.

Dentre essas regulamentações, é preciso de uma Autorização de Manejo de Javalis que deve ser concedida pelo Sistema de Informação de Manejo de Fauna (Simaf). Além desse documento, caso o manejo seja feito com armas de fogo, é preciso observar orientações sobre tipo, calibre e autorização de transporte destas armas.

Existem ainda outras condutas que devem ser seguidas no momento do manejo, já que a falta de cuidados e adequações pode trazer ainda mais problemas para o meio ambiente e a sociedade.

É proibido o uso de armadilhas letais ou capazes de ferir o animal e emprego de veneno, pois ambos configuram maus tratos aos javalis,. Quem é autorizado a fazer o manejo de javalis também precisa saber distingui-los de outras duas espécies de animais com os quais eles se parecem: a queixada e o cateto. Estas são espécies de animais silvestres, nativos do Brasil, que não podem e não devem ser abatidos. Matar estes animais é crime.

Também é terminantemente proibida a distribuição e comercialização dos produtos e subprodutos de javalis. O consumo da carne dos animais abatidos não é recomendado, nem por pessoas, nem por animais domésticos, pelo risco da transmissão de doenças.

Não é permitida ainda a realização do controle de javalis próximo de rodovias, seja com armas de fogo ou não, para não colocar em risco a vida das pessoas que circulam nestas vias. 

O próprio Ibama e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), coordenam o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali (Sus scrofa) no Brasil – Plano Javali. 

Consideramos o vídeo como enganoso porque, apesar de conter dados corretos, ao não incluir informações sobre as restrições legais para o abate destes animais, pode incentivar a caça inapropriada. O manejo dessa espécie exige cuidado e adequação a uma série de normas.

Os javalis trazem sim prejuízos para o meio ambiente, são uma espécie exótica invasora e precisam ser controlados, mas o abate ou a caça sem controle também podem trazer riscos sérios ao ambiente, aos animais domésticos e às pessoas.

Fonte: R7

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

%d blogueiros gostam disto: