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Por que a eleição para o Senado se tornou tão importante em 2026

Uma eleição acirrada até o final, com um número acima da média de candidatos com carreira política consolidada e um cenário propício a reviravoltas até bem próximo da data do pleito, impactado por movimentos sutis de um ou outro concorrente, a polarização nacional e o desempenho dos que disputam o governo do Estado. É assim que analistas políticos definem a corrida pelas duas vagas do Senado para o RS que estão em jogo nas eleições gerais deste ano.

“Apesar de o cargo compor a chapa majoritária, escolha de senador com duas vagas se transforma quase em uma eleição proporcional. Há motivação para haver mais candidatos e forte expectativa sobre as chances de cada um”, aponta a professora Silvana Krause, do programa de pós-graduação em Ciência Política da Ufrgs, que estuda partidos políticos e comportamentos eleitorais.

A comparação feita pela pesquisadora remete às corridas para Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa, nas quais a quantidade de postulantes, a ausência de ferramentas que consigam medir com precisão oscilações no humor dos eleitores e escolhas que, não raro, sejam desvinculadas de identificação ideológica, tornam o resultado imprevisível.

“A opção do eleitor para o Senado não é sempre só ideológica. Em um pleito com duas vagas, ele não vota necessariamente em dois candidatos de esquerda, ou dois de direita. Ocorre, por exemplo, de sua primeira escolha ser em um nome com o qual se identifica mais e a segunda ser em alguém na qual use seus próprios critérios de ‘menos pior’, ou de ‘mais simpático’”, explica o professor Rodrigo González, do Departamento de Ciência Política da Ufrgs.

No RS, as características elencadas pelos pesquisadores são observadas tanto nos movimentos dos postulantes como nas sondagens realizadas neste período de pré-campanha. No quesito comportamento, a corrida já tem pré-candidatos que tentam se mostrar como opção mais vantajosa ou segura em seu campo ideológico, o que, em alguns casos, leva a competições dentro da própria composição.

Há também aqueles que flertam com rivais, os que insistem em atrelar o Senado à polarização nacional e a demonstrações de força ante Executivo e Judiciário, e, até, quem está aproveitando a visibilidade de olho em chances de ocupar espaço em futuros governos de partidos hoje concorrentes. As pesquisas, por sua vez, mostram alguns pré-candidatos ‘embolados’, proximidades entre índices e desvinculação entre o primeiro e o segundo voto.

“É uma eleição que terá um bom número de candidaturas viáveis e está aberta. O eleitor já começou a prestar a atenção no que os concorrentes estão dizendo. Até debates de pré-candidatos temos. Normalmente, era uma contenda que só começava a chamar a atenção da população mesmo em setembro”, destaca González.

Ele explica que isso se deve à relevância que a Casa obteve nos últimos anos, tanto em termos de poder institucional, bancando embates com Executivo e Judiciário, como financeiro, a partir do incremento gigante nos valores destinados às emendas parlamentares controladas por congressistas.

“O Senado se tornou fundamental a partir do empoderamento do Legislativo no Brasil, onde o presidencialismo de coalizão parou de funcionar. Vivemos há alguns anos em uma espécie de ‘parlamentarismo pix’. E, nele, a composição do Senado será determinante para o próximo presidente da República”, completa Silvana.

A professora alerta que, neste contexto, quem quiser se eleger para a Câmara Alta precisa ter capacidade de identificar fatias prioritárias do eleitorado e afinar com rapidez estratégias para a conquista de votos.

Fonte: CP